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sexta-feira, 7 de junho de 2013

VICTOR HUGO, UM MESTRE DO PALCO


VICTOR HUGO, UM MESTRE DO PALCO


Victor Hugo Dias Marques Rodrigues, nasceu em 17/01/1937, na freguesia do Pinheiro Grande, concelho da Chamusca.
Aos 14 anos pisou o palco pela primeira vez e é com uma alma renovada que continua a representar aos 76 anos de idade.
Participou em inúmeras peças e espectáculos teatrais, desenvolvendo a sua actividade em vários grupos de teatro. Em 1967, foi galardoada com o 2.º Prémio de melhor actor masculino no Concurso Nacional de Teatro Amador e, em 1971, como encenador, obteria o 3.º lugar com a peça “O Lugre”, em igual Certame Nacional.
Podia ter abraçado uma carreira profissional como actor, se o tivesse pretendido, mas para si o teatro foi sempre um prazer, livre de obrigações profissionais.
A sua vida realçou-se também no desempenho político-social. No período conturbado após a revolução do 25 de Abril de 1974, foi Presidente da 2.ª Comissão Administrativa que geriu a Câmara Municipal da Chamusca. Exerceu ainda o cargo de Vereador e membro da Assembleia Municipal do Município e a função de Tesoureiro na Junta de Freguesia de Chamusca. Foi igualmente Presidente da Comissão Permanente das Finanças, durante 22 anos, para além de Presidente de várias outras Associações.
Pela forma digna, dedicada e extraordinária como desempenhou o seu próprio papel como ser humano, contribuiu exemplarmente para o desenvolvimento cultural e social da Chamusca e de Portugal.



Poema "Cigana", da autoria do grande poeta e escritor Chamusquense Carlos Amaro, declamado na Biblioteca Municipal da Chamusca, no dia 25 de Abril do corrente ano no evento "Poesia e Liberdade."

Quando e como surgiu o teatro na sua vida?

O teatro surgiu na minha vida por um acaso. Ia assistir aos ensaios da Tuna do Grupo Dramático Musical (GDM) onde tocava o meu pai, Julião Marques, e foi assim que reparam em mim e me convidaram para fazer parte do Grupo de Teatro daquela colectividade.
Tinha 14 anos, em 1951, quando pisei o palco pela primeira vez, com a peça “O Poço do Bispo”, encenada por José Rodrigues Ferreira e representada pelo referido Grupo.

Entretanto a sua envolvência no teatro foi em crescendo. Como é que se processou?

Seguiram-se inúmeras peças, não só fazendo parte do Grupo de Teatro do Grupo Dramático Musical, como pertencendo ao elenco dos Grupos do Sporting Clube Chamusquense, Sport Chamusca e Benfica e do Montepio União Chamusquense. Participei ainda na Revista local “Salsifré” e em vários espectáculos “Bate-Papo”.




1967 - Revista "Salsifré" 



1967 - Revista "Salsifré", Quadro "Gil Vicente"




1991- Reposição da Revista Salsifré, da autoria do encenador Chamusquense José João Samouco da Fonseca - Quadro "Gil Vicente".


1967 - Revista "Salsifré"


"Bate-Papo", com Victor Azevedo, entrevistando o saudoso Gaspar Almeida e Silva



"Bate-Papo", com Victor Azevedo, entrevistando o Padre Diogo, pároco da Chamusca durante mais de três dezenas de anos.



"Campinos, Mulheres e Fado" - 1.ª Versão - 1966

Em 1967, no Teatro Trindade, em Lisboa, no Festival Nacional de Teatro Amador,  fui distinguido com o 2.º Prémio de melhor actor masculino pela minha interpretação na peça “Entre Giestas” da autoria de Carlos Selvagem, encenada por João Fonseca e representada pelo Grupo de Teatro do Montepio União Chamusquense.
Do júri que atribuía os prémios faziam parte dois grandes nomes do teatro nacional: Rui de Carvalho e Varela Silva.



1967 - Fotografia do seu personagem da peça "Entre Giestas"


Representando na Peça "Entre Giestas"


Mais uma imagem da sua representação na peça "Entre Giestas"

Duas grandes representações na peça "Entre Giestas". Victor Hugo e Izilda Maria Neves, que venceria o prémio de melhor actriz no Festival Nacional de Teatro Amador em 1967.


Diploma do 2.º Prémio de melhor actor masculino do Concurso Nacional de Teatro Amador 

Com este galardão atribuído por actores tão distintos, não pensou na eventualidade de se tornar actor profissional?

Podia ter obtido a carteira profissional de actor, porque para isso bastava-me ter representado num determinado número de peças e de espectáculos. Foi assim que muitos outros valores do teatro nacional a obtiveram, sem necessidade de passar pelo Conservatório de Teatro.
Mas o que eu gosto é de fazer teatro e não ter a obrigação de todos os dias subir ao palco e ver-me obrigado a entrar em peças que não gosto e representar papéis que não me agradam.

A sua carreira e experiência como actor, levaram-no a realizar também trabalhos como encenador. Que peças encenou?

No Sport Chamusca e Benfica encenei uma Comédia em 1 acto com variedades e de certa forma também o fiz com a peça “A Ceia dos Cardeais” no Grupo Dramático Musical. Grupo onde fiz igualmente a encenação da peça “O Lugre”, que viria a ser selecionada para o Concurso Nacional de Teatro Amador, que se realizou no Teatro Monumental em Lisboa, em 1971, onde obteve um magnífico 3.º lugar.
Não segui por este caminho da encenação, porque o que queria era mesmo pisar o palco e não ficar a ver teatro nos bastidores.




Cartaz de publicitação da peça "O Lugre"


1997 - "A Ceia dos Cardeais", com Raul Caldeira e Joaquim Caracol

Paralelamente ao seu desempenho teatral foi-se envolvendo em outras actividades sociais. Quais foram?

Há algumas décadas atrás as pessoas eram muito dinâmicas. Faziam-se muitas coisas por gosto e por “carolice”. O que hoje, infelizmente já não acontece. Por isso aos 17 anos, idade a partir da qual isso era possível, tornei-me bombeiro voluntário. Voluntariado que mantive durante precisamente 17 anos, até que os meus afazeres profissionais não o permitiram mais.
Fui ainda Presidente, tesoureiro e secretário do Grupo Dramático Musical. Presidente da Assembleia Geral do Sporting Clube Chamusquense.  Presidente da Comissão Permanente das Finanças, durante 22 anos, e também Presidente da Associação de Caçadores de Matafome. Na política fui Presidente da 2.ª Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Chamusca, pouco depois da Revolução do 25 de Abril de 1974. E mais tarde Vereador, membro da Assembleia Municipal e Tesoureiro da Junta de Freguesia de Chamusca.




Como é que se deu essa sua entrada na política?

Logo após se dar a Revolução do 25  de Abril, eram inúmeras as sessões de esclarecimento que se realizavam. Eu estava quase sempre presente e era um ouvinte atento. 





Imagens de uma dessas "Sessões de Esclarecimento"

Quando se deu a formação de uma secção local do Partido Socialista (PS), aderi aos órgãos sociais, mas sem nunca me filiar a nível nacional. Quando se deram as eleições para a Constituinte o PS ganhou e o Governador Civil solicitou-nos a indicação de 3 elementos para formar a Comissão Administrativa e ao Partido Comunista Português (PCP), segunda força partidária, a indicação de 2 elementos.
No meio de muita indefinição, de quem seria o escolhido para encabeçar essa Comissão, numa reunião que durou até à madrugada do próprio dia em se daria a tomada de posse, acabei por dar o passo em frente e assumir essa liderança. Tomámos posse no Governador Civil de Santarém. Pelo PS os outros empossados foram o Adriano Leitão e o Luís Rosa e pelo PCP o João José Bento e o Emídio Cegonho.

Como é que decorreu essa Presidência?

Havia uma grande desorganização nos serviços da Câmara. Foi necessário elaborar um organigrama para poder coordenar esses mesmos serviços e chamar todos os funcionários para que se pudessem entender uns com os outros, pois havia muitas divergências políticas e todos queriam algum poder e protagonismo. No final acabaram todos por apertar as mãos. Na Chamusca começou a haver ordem na desordem. Começámos a recuperar alguns jardins e estradas e foi durante a minha presidência que se fez a negociação dos terrenos para implantação do Bairro das Casas Pré-Fabricadas, ainda hoje existente na Chamusca, e que se adjudicou o projecto para tratamento dos esgotos.
Recebia 3 contos para despesas de representação, mas o tempo que perdia em reuniões no Governo Civil e em vários Ministérios não permitiam que me dedicasse à minha empresa de Carpintaria e Construção Civil, com várias obras em execução, com 27 empregados, e que começava a perder dinheiro.

Então porque razão continuou na política, em posição elegível, nas primeiras eleições Autárquicas?

Acreditava que podia contribuir de alguma forma para a melhoria da minha Terra e do País e não me arrependo dessa entrega. Contudo, já não aceitei concorrer à Presidência. O Dr. Francisco Romão foi eleito Presidente e eu fui empossado com Vereador do Pelouro das Obras. Cargo que ocupava a tempo inteiro e pelo qual recebia 10 contos. Esse valor era significativo e as minhas funções aliciantes, mas não cheguei ao final do mandato a tempo inteiro. Se tivesse continuado corria o risco da minha empresa ir por água-a-baixo. A política para mim nunca foi uma solução profissional, como foi e é para maior parte dos políticos deste país.

O que é que a política acrescentou à sua vida?

Sobretudo um grande enriquecimento pelas pessoas que fui conhecendo e uma valorização intelectual que se deveu aos contactos que fui estabelecendo com muitos Ministérios. Também me permitiu desenvolver uma grande sensibilidade para tratar de várias situações.
Contudo, gostaria de acrescentar que apenas tenho a 4.ª classe e que foi, sem dúvida, o teatro que me  permitiu atingir e percorrer este trajecto político. A minha formação teatral e o à vontade que o palco me deu, fizeram-me chegar desinibido à política e falar nos comícios, com os trabalhadores e nas diversas situações, com tranquilidade e de uma forma lúcida.

Continuou a desenvolver a sua actividade teatral durante esses anos de política activa?

Não. Essa foi uma fase da minha vida em que me afastei completamente do teatro, até porque o Cine-Teatro, que era o principal palco da Chamusca, sofreu várias remodelações e não podíamos aí representar. Penso que se não fossem essas obras, mesmo com uma vida por demais preenchida, não teria resistido ao apelo do palco.

Entretanto voltou novamente à roda viva do teatro e acaba por ser convidado para integrar o Grupo “Fatias de Cá” de Tomar, um dos grandes grupos amadores deste país. Como é que isto se processou?
        
Pode dizer-se que por um acaso. O “Fatias” veio realizar um espectáculo à Chamusca. O encenador do Grupo, o Carlos Carvalheiro, foi distribuir alguns bilhetes à Junta de Freguesia. Eu era Tesoureiro da Junta e estava ali com o Presidente, o Emídio Cegonho, que se referiu a mim como um grande actor. Acabámos a falar de teatro e o convite surgiu.
Durou 7 anos a minha ligação àquele Grupo, durante os quais entrei em inúmeras peças, das quais destaco, “Sonhos de uma Noite de Verão”, da qual fiz cerca de 100 representações só na cidade de Tomar e “O Nome da Rosa”, que aquando da minha saída já levava 3 anos em cena e que ainda hoje continua a fazer parte do elenco de peças representadas pelo “Fatias”.
Gostaria de realçar que apesar desta ligação ao Grupo “Fatias de Cá” mantive sempre, paralelamente, actividade como actor na Companhia de Teatro do Ribatejo, da Chamusca, na qual já participei em 8 peças, encenadas pelo João Coutinho, também com excelente acolhimento do público.



  Peça "Alcácer Quibir" - Grupo de Teatro "Fatias de Cá"


  Peça "Alcácer Quibir" - Grupo de Teatro "Fatias de Cá" - Representação nas Aldeias de Arripiado e Tancos.



                                  "A Comédia da Marmita" - Grupo de Teatro Fatias de Cá




             Peça "Campinos Mulheres e Fados" - 2.ª versão pela Companhia de Teatro do Ribatejo.


"O Quiosque" - Companhia de Teatro do Ribatejo 


"Amália Nossa Senhora do Fado" - Companhia de Teatro do Ribatejo

Quais são as suas referências no teatro?

No teatro clássico, os actores Rui de Carvalho, Varela Silva, Rogério Paulo e Mário Pereira. Na declamação de poesia, João Vilaret e Mário Viegas. Na Revista e Comédia, os actores António Silva, José Viana e José Raposo. A nível local (amadores), José Rodrigues Ferreira, António Rodrigues Ferreira, Samuel Abreu (carteiro), Alberto Leitão, Joaquim Cardador Caracol, Mestre Adelino Pinheiro e Fernando Ferreira.

O que é que o teatro representa para si?

Para mim o teatro é magia. É ter a possibilidade de interpretar vários personagens. Deixar de ser eu e passar a ser outros, porque o verdadeiro actor é aquele que sabe libertar-se de si próprio.
Quando comecei a fazer teatro, o meu primeiro encenador, José Rodrigues Ferreira, dizia-nos sempre; «quando se entra para ensaiar e fazer teatro, vocês ficam aqui pendurados no cabide. Ali dentro são outras pessoas.»







Peça "Vida e Obra do Dr. João Isidro dos Reis", encarnando essa Ilustre figura da Chamusca e de Portugal.      


O que é que o teatro lhe trouxe?

Trouxe-me milhões de palavras decoradas e uma grande preparação intelectual para a vida. Permitiu-me estar em palcos e lugares do país que de outra forma não teria pisado. Para além de toda a convivência e Amizade que criei e que tornou possível que todos os anos, na Quinta-feira de Ascensão, uma grande parte dos meus colegas de teatro se reúnam, para almoçar e confraternizar, na minha tertúlia teatral.
Também me trouxe algum reconhecimento pelo meu trabalho. O que me tocou mais fundo foi a homenagem que a Freguesia de onde sou natural, o Pinheiro Grande, me fez em Novembro de 2011.



Na Biblioteca Ruy Gomes da Silva Na Chamusca


Cartaz da homenagem a Victor Hugo, efectuada pela Freguesia do Pinheiro Grande, pela sua vida dedicada à Cultura, ao Associativismo e participação Cívica.

Como vê o teatro actual?

A experiência hoje é muito menor. As peças levam-se à cena em menos tempo. A preparação dos actores também não é tão cuidada. Por vezes debita-se o texto sem que os actores saibam interpretar o que se pretende. As pessoas hoje também estão menos disponíveis para ouvir críticas, o que não acontecia no teatro do passado em que se sabia escutar e aceitar conselhos.
Os próprios jornais deixaram de fazer crítica teatral. O teatro deixou de ter a importância que tinha. Na sua maioria as peças não duram mais do que uma semana em cena.

Que mensagem final gostaria de expressar?

Gostava que a Chamusca e os responsáveis políticos dessem mais atenção a uma das riquezas que esta terra tem tido: a propensão teatral.
        Temos os espaços físicos e gente com muita apetência para fazer teatro e parece que já não há orgulho nesta área.
Preocupa-me o desemprego, a emigração para outras Terras e outros países, porque a Chamusca cada vez se parece mais com uma aldeia do Alentejo e Portugal com uma pequena Vila.
Gostava que se pudesse pôr cobro a estas situações, porque já trabalhei muito para que tal não acontecesse.  


Agradecimento:
A João José Bento, pela sua colaboração incansável e pela sua Amizade.

Comentários:


Eduardo Martinho




Eduardo Martinho deixou um novo comentário na sua mensagem "VICTOR HUGO, UM MESTRE DO PALCO":

Bonita e merecida homenagem ao ilustre amador de Teatro que Vítor Hugo foi.
Na minha memória do teatro de Revista, retenho desde sempre dois quadros inolvidáveis da década de 1960:
“A Guerra” de Raúl Solnado e
“Gil Vicente” de Vítor Hugo Marques, que foi bom reviver com o vídeo integrado neste post.
Parabéns ao Vítor Hugo…
...e um agradecimento ao autor deste blogue.



  • João José Bento Vítor Hugo, a grande referência dos grandes amadores de teatro da Chamusca, que palavras ou comentário posso fazer a este ilustre mestre do palco, 62 anos a representar tão nobre arte, homem de trato fácil, bom companheiro, sempre uma palavra de estimulo aos mais novos, que aplauso melhor lhe podem prestar os visitantes deste blogue, é partilhar com os amigos, este " CORAÇÕES da CHAMUSCA " que já está a pulsar em mais um excelente trabalho de Carlos Santos Oliveira, que imortaliza este grande chamusquense, transportando e divulgando esta figura do Ribatejo, pelo mundo inteiro. Parabéns Vítor Hugo e Carlos Oliveira, isto é a ALMA das Gentes da CHAMUSCA!!!

    • Carlos Santos Oliveira Caro Amigo, obrigado pelo comentário. Victor Hugo e a Chamusca bem o merecem. Quanto a mim, vou continuar a fazer o meu trabalho de dignificar as Pessoas e a Terra. Espero que muitas outras entrevistas se sucedam neste blogue porque, felizmente, ainda temos muitos outros exemplos de vida para homenagear. Contudo, não posso deixar de referir que este blogue só é possível com a sua colaboração, a dos entrevistados e daqueles que entretanto foram aderindo a este movimento. Abraço forte.



    Victor Moedas comentou a tua ligação.
    Victor escreveu: "um grande artista chamusquense que pisa o palco com muito sentimento 
    e m arte"


    Victor Moedas comentou a tua ligação.
    Victor escreveu: "para o grande talento que e´Carlos Santos Oliveira 
    Os Meus Parabéns  Pelo Grande Trabalho Prestado a Este Grande 
    Artista Impar Com Um Grande Abraço v m"


    • Carlos Santos Oliveira Se não existissem Homens e Artistas com a vossa 
      qualidade, não seria possível o meu trabalho. Obrigado pelas tuas palavras,
       colaboração e Amizade.













2 comentários:

  1. Bonita e merecida homenagem ao ilustre amador de Teatro que Vítor Hugo foi.
    Na minha memória do teatro de Revista, retenho desde sempre dois quadros inolvidáveis da década de 1960:
    “A Guerra” de Raúl Solnado e
    “Gil Vicente” de Vítor Hugo Marques, que foi bom reviver com o vídeo integrado neste post.
    Parabéns ao Vítor Hugo…
    ...e um agradecimento ao autor deste blogue.

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  2. Primo, este foi o texto que li e te dediquei.

    Viagem


    Acordo, sigo o destino,
    Embarco na aventura onde mil rostos observam.
    Mágoas, tristezas, dor e sofrimento,
    Patente em caras baixas, apaziguadas,
    Na ilusão onde a felicidade esconde o medo,
    Onde suspiros ecoam, cobertos de base,
    Em faces indignadas.
    As lágrimas secas recusam o desalento,
    Apesar de coloridas,
    Opacas prevalecem.
    Sussurros atrozes,
    Insursedores, calam a cidade,
    O grito de revolta é mais forte,
    Onde um poeta sofre,
    Como quem abraça,
    Como quem sente...
    Revoltado na escuridão,
    Medita impávido,
    Chora calado.
    Vivo num mundo onde:
    A floresta grita,
    A cidade chora,
    Lágrimas? Essas.
    Somos nós...

    José Marques 06/03/2006

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