Número total de visualizações de página

sábado, 8 de fevereiro de 2014

JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO


JOÃO DE OLIVEIRA AUGUSTO FERREIRA, nasceu em 19/11/1949, na freguesia de Vale de Cavalos tendo, aos 7 anos de idade, ido residir para a Vila de Ulme. Ali completou o ensino básico mas, aos 10 anos, interrompeu a sua vocação estudantil para ir trabalhar como paquete para o escritório da fábrica de papel que existia na localidade.
Sempre movido por uma grande vontade de aprender, aos 13 anos retomou os estudos em horário nocturno, na Vila da Chamusca, para onde se deslocava de bicicleta enfrentando o cansaço, o frio, a chuva e o medo dos bois bravos que por vezes se atravessavam no seu caminho, tendo completado assim mais um ciclo da sua formação.
Influenciado pelos Beatles, conjuntamente com um grupo de amigos começou a fazer umas brincadeiras tentando extrair alguns sons musicais, que ganhariam alguma melodia quando um desses colegas surgiu com uma guitarra, onde todos aprenderam a dedilhar os primeiros acordes.
No entanto este círculo de amizade, os estudos e o aprendizado musical seriam interrompidos com a sua ida para Angola, onde cumpriu o serviço militar obrigatório.
Durante 2 anos, na cidade de Nova Lisboa, estimulado pelas músicas e canções de  Zeca Afonso, Fausto e Adriano Correia de Oliveira, com um grupo de amigos começou a desenvolver as suas aptidões para a música, aprendendo a tocar e a cantar os sons e as melodias destes músicos e cantores, que exibiam depois em alegres serenatas.
O seu apelo intenso pela música leva-o, igualmente, a fazer parte do coro da igreja daquela cidade de Angola.
De regresso a Portugal volta ao seu anterior trabalho na fábrica de papel e ao seu grande objectivo de prosseguir os estudos.
Dispondo de uma tolerância no horário de trabalho e com explicações à noite, conclui os estudos secundários na área de Línguas no Liceu Nacional de Santarém. E, já a trabalhar em Lisboa, com o estatuto de trabalhador estudante, faz o bacharelato em estudos Anglo-Americanos e conclui a licenciatura em Estudos Franceses e Ingleses.
Paralelamente envolve-se em actividades musicais, fazendo parte do Coro da Universidade de Lisboa e do “Almanaque”, um Grupo de Música Tradicional Portuguesa que chega a gravar um LP.
Durante o último ano do curso começa a dar aulas de Português e Francês em Lisboa, mas sem nunca perder a sua ligação a Ulme onde vinha "religiosamente" todos os fins de semana. Esta ligação à sua Terra o seu envolvimento torna-se tão intensa que, em conjunto com outras pessoas da Vila, concebe o projecto do Centro Cultural de Ulme, que viria a concretizar-se em 28/02/1982, com a inauguração de uma sede onde passou a ser possível a toda a população usufruir de um espaço social e cultural privilegiado, que foi sendo dinamizado com música, danças, bailes e concursos.
Simultaneamente, com a experiência trazida do Grupo “Almanaque” promove cursos de guitarra onde ensina dezenas de pessoas a tocar e dando origem ao Grupo Musical de Ulme e mais tarde ao Grupo “Reviravolta”.
Devido a estas actividades e à ligação profunda a Ulme, acaba por regressar definitivamente e começa a dar aulas de Português e Francês na Escola C+S de Chamusca, na qual se vincula.
A partir daqui o seu trabalho na área da intervenção musical torna-se mais intenso, devido ao seu envolvimento no Projecto “Tuna Mix”, que dinamizou a Escola C+S da Chamusca para acções na “Semana da Ascensão” e no Carnaval; através de uma empenhada participação no Projecto “Centro de Recursos” concebido para ensinar música a todas as crianças dos jardins de infância e do 1.º ciclo do concelho da Chamusca; e ainda, com mais relevância, criando o grupo infantil e juvenil “Revirarock” que se torna um êxito, exibindo-se em vários espectáculos ao vivo e chegando a ter várias apresentações na televisão.
Ao reformar-se e quando, eventualmente, se poderia pensar que iria abrandar o ritmo de envolvimento com os projectos de formação musical, o seu trabalho acentuou-se ainda mais:
Mantém-se ligado ao “Centro de Recursos”, onde diariamente ensina música a dezenas de crianças e jovens.
Ligou-se a um projecto de enriquecimento curricular, onde dá aulas de música em algumas escolas do concelho, recebendo ele próprio formação na Associação Cultural Cantar Nosso, da Golegã, que colabora nesta Iniciativa.
Criou o Projecto “Acordatecla”, que percorre todo o concelho da Chamusca, ensinando  a tocar instrumentos musicais de cordas e de teclas.
Por todo este historial de vida e de intervenção social e cultural, pela sua dedicação, dinamização e grande empenho e capacidade de trabalho, apesar de ser praticamente um autodidacta na área musical, João Ferreira tornou possível a centenas de crianças e jovens um contacto enriquecedor com a música e deu-lhes formação e educação para uma vida mais agradável, feliz e humanitária.
Só posso agradecer-lhe por ter tornado o meu concelho um lugar melhor, mais educado, mais culto, e dar-lhe neste blogue o destaque que o seu trabalho merece.   

&&&&&

Como é que decorreu a sua infância e juventude?



Nasci em Vale de Cavalos, mas aos sete anos de idade fui viver para Ulme. Ali completei a minha instrução primária. Depois, devido a dificuldades de transporte para poder deslocar-me para estudar, aos 10 anos fui trabalhar como paquete no escritório da fábrica de papel que existia na Vila de Ulme. Foram cerca de 3 anos com o dia-a-dia ocupado pelo trabalho até que, por volta dos 13 anos, retomei os estudos em horário nocturno, no externato da Chamusca, para onde me deslocava de bicicleta com um grupo de amigos e colegas. Fazíamos este percurso muitas vezes debaixo de mau tempo e sempre com o receio dos touros bravos que andavam livres pelas herdades e que por vezes atravessavam a estrada por onde passávamos. Mas valeu a pena o esforço, as pedaladas, enfrentar o medo dos bois, o frio e a chuva, porque consegui concluir o 1.º e 2.º ano (actualmente 5.º e 6.º ano).


Fazendo teatro, de chapéu e enchumaçado num fato.

Com a mãe, o pai e o avô, num dia de procissão em Ulme.

Para si os estudos foram sempre uma prioridade?

Sempre gostei de estudar e tive uma grande força de vontade para o fazer. Por isso, dos 15 aos 18 anos, usufruindo de um período de tolerância no trabalho, completei o 3.º, 4.º e 5.º ano na Chamusca. No Externato da Palmeira, que se situava na Rua da Formiga. Nessa altura já me deslocava mais rápida e comodamente numa motorizada velha do meu pai.
Ainda cheguei a andar em Santarém, no Externato Braamcamp Freire, a tentar fazer o 6.º ano por disciplinas, mas não o conclui porque fui chamado para o serviço militar obrigatório, tendo ido para Angola onde, como furriel, prestei serviço no quartel da cidade de Nova Lisboa.

Para além do trabalho e dos estudos já sentia algum apelo pela música?

Já havia um bichinho a mexer dentro de mim e dos meus amigos. Na altura os Beatles eram um fenómeno mundial e influenciados pela sua música tentámos formar um grupo musical. Como não tínhamos instrumentos improvisávamos baterias em caixotes e latões e fazíamos guitarras de pau, com fios a imitar as cordas. Só quando o Adriano Damásio Cruz apareceu com uma guitarra de verdade, começámos a tentar tirar alguns sons e melodias de ouvido. Havia muita vontade de aprender, mas poucas condições para isso.


Com os amigos das brincadeiras musicais e um grupo de amigas.

A sua ida para Angola significou o afastamento de Ulme, dos estudos e das brincadeiras musicais. Significou também a entrada no inferno da guerra?

Apesar da guerra em África ter sido um flagelo para os portugueses e para os naturais dos países com os quais estávamos em guerra, felizmente tive a sorte de ter ficado longe dos campos de batalha. A minha responsabilidade era tratar da alimentação das tropas. Fazer as ementas, as compras, o abastecimento de géneros alimentares, gerir a alimentação militar e orientar o trabalho dos cozinheiros.


Durante o serviço militar na cidade de Nova Lisboa.

E a música, foi abafada pelo som dos tachos e panelas?

Pelo contrário, foi em Angola que comecei a ter mais contacto com a música e com o trabalho dos baladeiros da altura: Zeca Afonso, Fausto e Adriano Correia de Oliveira. A aprender a tocar uns sons e melodias com um grupo que também gostava deste género de música e com a qual fazíamos serenatas às raparigas que estavam alojadas num Internato da cidade.
Para além disso, em Nova Lisboa, estive ainda ligado a um grupo musical que tocava no coro da igreja e cheguei também a integrar um grupo jovens que testemunhavam o evangelho na vida, vivendo de uma forma honesta e regrada, tentando ser um bom exemplo para a sociedade.
Posso dizer que os 2 anos em que permaneci em Angola foram muitos importantes para o meu desenvolvimento humano e musical.
Com os seus amigos da Igreja, em Nova Lisboa.


Com os seus amigos da igreja e da música na cidade de Nova Lisboa.

Como é que se processou a sua vida depois do regresso?

Em 1973 regressei a Ulme, já com cerca de 23 anos de idade, voltando a trabalhar na fábrica de papel e a estudar. Usufruindo novamente de uma tolerância de horário e tendo explicações à noite, consegui terminar os estudos secundários na área de Línguas, no Liceu Nacional de Santarém. Só não entrei para a Universidade logo a seguir, porque com a Revolução de 25 de Abril de 1974 cancelaram as admissões à faculdade.
Mas este facto não foi de todo negativo pois, com mais tempo livre, comecei a aprender a tocar órgão sozinho, tendo depois formado o coro da igreja de Ulme.

Desenvolvia alguma actividade no campo musical, mas faltava-lhe realizar esse grande objectivo de terminar a sua formação académica. Como é que o conseguiu?

Como já referi sempre gostei muito de estudar e tirar um curso superior era um objectivo para a minha vida profissional. Depois de uma conversa com o Engenheiro Rosa Rodrigues, que era o proprietário da fábrica de papel onde eu trabalhava, consegui através dele um emprego em part-time em Lisboa, trabalhando com contabilidade mecanográfica, chegando inclusive a fazer a contabilidade na sucursal de Lisboa dos Vinhos da Chamusca. E, dessa forma, com o estatuto de trabalhador estudante, mas compensando com trabalho à noite o tempo em que faltava para estudar durante o dia, ingressei na Faculdade de Letras de Lisboa no curso de Filologia Germânica, mudando depois para o curso de estudos Anglo-Americanos, de que possuo o bacharelato, e concluindo a universidade com uma licenciatura em Estudos Franceses e Ingleses.
No último ano do curso comecei a dar aulas de Português e Francês na Escola Secundária Veiga Beirão, no Chiado.
E mesmo trabalhando e estudando consegui ainda conciliar estas actividades com a música, pois durante este período fiz parte do Coro da Universidade de Lisboa e de um Grupo de Música Tradicional Portuguesa chamado “Almanaque”, que chegou a lançar um LP com o título “Sementes”. Naquele grupo fazia vozes e tocava guitarra.

Parte da capa do LP lançado pelo Grupo "Almanaque.

A fazer toda a sua vida em Lisboa, que tempo lhe sobrava para se dedicar a Ulme?

Nunca abandonei Ulme. Vinha "religiosamente" todos os fins de semana a esta Terra fazer a descentralização cultural. Era tão intenso este envolvimento que, com um grupo de amigos, começámos a fazer concursos, como o “Nossa Terra Nossa Gente”, que valorizavam as tradições locais e rurais e proporcionavam momentos lúdico- recreativos, com peças de teatro e revistas teatrais. 
Mais tarde, com a necessidade de ter um lugar próprio para desenvolver mais actividades demos corpo ao que viria a ser o Centro Cultural de Ulme. Elaborámos os estatutos, o regulamento interno e conseguimos um espaço para instalar a sede, que nos foi cedido pela família Rato, e onde ainda nos mantemos actualmente.


Concurso "Nossa Terra Nossa Gente"


Com a inauguração da sede, em 28/02/1982, o Centro tornou-se um espaço alternativo à taberna. Possuía biblioteca, televisão, bar e um lugar acolhedor para as crianças com jogos infantis. Era, sobretudo, um espaço comunitário onde se podiam desenvolver várias actividades em simultâneo e onde todos coexistiam muito bem.

Espectáculo ao ar livre, no dia de inauguração do Centro Cultural de Ulme.


À porta do Centro, preparando-se para mais uma actividade.

Uma biblioteca e sala de leitura ao serviço de toda a população.


Outras actividades no Centro
Com o tocador de harmónica, Manuel Passas, num espectáculo de Carnaval e 1983.

Mais fotos do Carnaval de 1983 


Danças no salão.


Em palco com a mulher. 

1988 - Num espectáculo de Natal.


Este seu envolvimento originou outros projectos em Ulme?

Sim, porque com as influências que trouxe do Grupo de Música Tradicional Portuguesa “Almanaque” para Ulme, comecei a ensinar as pessoas a tocar viola, guitarra, cavaquinho, bandolim, guitarra braguesa e adufe.

Tocando pelas ruas de Ulme, num intercâmbio que trouxe o Grupo "Almanaque" até esta localidade.

                                   Num espectáculo em Ulme com o Grupo "Almanaque.

Cheguei a fazer cursos de guitarra em Ulme, reunindo cerca de 40 pessoas e onde cada uma tinha a sua guitarra, dando origem ao “Grupo de Música de Ulme” ou também chamado “Grupo Fim-de-Semana”. E, apesar deste ser um curso de formação e aprendizagem, chegámos ainda a actuar nas festas da “Semana da Ascensão”, como mostra da nossa actividade.


Num espectáculo com os alunos do curso de guitarra.

Com o Grupo das Guitarras no Palco da Ascensão.

Com estes elementos viemos depois a formar o “Grupo Reviravolta”, composto por vozes femininas e masculinas e onde as mulheres e os homens também tocavam instrumentos musicais. A minha mulher orientava a parte das cantigas de mulheres e eu a parte instrumental e as vozes masculinas.
Realizámos vários espectáculos no Distrito, salientando-se um que fizemos para a Rádio Hertz.


Imagens do Grupo "Reviravolta".



Com toda esta participação na vida cultural de Ulme, para si certamente era difícil continuar a viver em Lisboa?

Pois era. Não só pelas raízes, como pela comunidade, pelos amigos e pela música e cultura. Por todas essas razões, há 25 anos, deixei de dar aulas em Lisboa, tendo vindo trabalhar para a Escola C+S da Chamusca, onde me vinculei a leccionar Português e Francês ao 2.º ciclo e voltando a residir novamente em Ulme.

Esse regresso deu azo a novas perspectivas musicais em Ulme?

        De início nem tanto, tendo continuado com o Grupo "Reviravolta" que se mantinha activo há vários anos. Só que, entretanto, os elementos mais jovens começaram a ser influenciados pelas músicas pop-rock de grupos juvenis que apareceram na altura, como os “Ministars” e “Onda Choc”, e também pelas versões em português de grandes êxitos mundiais que começaram a ser produzidos pelas editoras de músicas, e havia no seio do nosso grupo uma grande vontade de cantar esse género musical.

Foi essa vontade que deu origem ao Grupo "Revirarock”?

Foi dessa vontade dos mais jovens e da minha disponibilidade para poder orientar e organizar um novo projecto musical, que nasceu o Grupo "Revirarock”. No início os seus elementos aprenderam a afinar e a cantar por cima das vozes originais dos LP’s. Chegámos, inclusive, a actuar na "Semana da Ascensão" com os microfones num som mais alto para abafar as vozes dos originais. Na altura não havia um meio para esconder as vozes gravadas. Não existia ainda o Karaoke.
Entretanto comprei um órgão e comecei a fazer orquestrações dos originais de êxitos pop-rock, criando versões de texto, que eram tocadas e cantadas ao vivo.
Ainda chegámos a gravar uma cassete incluída no Projecto “Cultura, Tradição e Futuro”, tendo como padrinhos desta iniciativa a cantora Silvina de Sá e o fadista Manuel João Ferreira, que gravaram um tema cada um.


No espectáculo de lançamento da cassete.



Simultaneamente começou a nascer o “Revirarock” infantil, que dançava e cantava temas infantis e que viria a dar origem a uma segunda geração do “Revirarock” juvenil.


"Revirarock" infantil.

E o Grupo "Revirarock" revirou Ulme e cantou e encantou o País!?

De certa forma foi isso que sucedeu. O “Revirarock” chegou a fazer inúmeros espectáculos, com o apoio do Instituto da Juventude, actuando em vários eventos deste Organismo e também fazendo intercâmbio associativo e actuando em várias festividades a nível distrital.


Várias fotos de actuações do "Revirarock"








O nosso Grupo chegou a actuar por várias vezes na televisão como, por exemplo,  no Programa "Big Show SIC, no concurso televisivo “Cidade contra Cidade”, onde representámos o Entroncamento e vencemos uma eliminatória com a música “We Are The World”, com uma versão de texto criada por duas educadoras do Jardim de Infância “O Coelhinho”, da Chamusca.
Vídeo da Actuação no Programa "Big Show SIC, apresentado por João Baião.

Este foi um grande êxito do Grupo que deu, inclusive, corpo à iniciativa “Todos Diferentes Todos Iguais” do Instituto da Juventude (Delegação de Santarém), onde gravámos uma cassete incluída nesta iniciativa.

Capa da cassete da Campanha.

Mais tarde voltámos a apresentar este trabalho na SIC, no Programa "Superbuéréré".

Vídeo da Actuação no Programa "Superbuéréré", apresentado por Ana Malhoa.

       Numa outra apresentação televisiva exibimos outro tema, com letra da minha autoria, com o título “Noite de Verão”, que foi igualmente um êxito.



"Noite de Verão" cantada no Programa "Superbuéréré", apresentado por Ana Malhoa.
A última apresentação do Grupo "Revirarock" em televisão.

Devido a este sucesso, sente que o “Grupo Revirarock” podia ter tido mais impacto a nível nacional?

Na altura poderíamos ter-nos expandido mais, mas como isso iria colidir com o sucesso escolar dos alunos não me deixei deslumbrar com o êxito e decidi abrandar o ritmo.
Participar em mais espectáculos e querer chegar mais longe, envolve sempre muito trabalho e disponibilidade pessoal, para além das despesas que teríamos que fazer para nos apetrecharmos com outros meios. Isso seriam exigências demasiadas para pessoas com uma vida simples e para um Centro Cultural com poucos recursos económicos.





Cantando o tema "Noite de Verão", no espectáculo dado na "Semana da Ascensão" de 2000.

Quanto tempo durou o projecto “Revirarock”?

Este projecto do “Revirarock”, do qual os meus três filhos também fizeram parte,  durou cerca de 12 anos e para além do que já disse gostaria de acrescentar que permitiu aos seus elementos evoluir musicalmente. Porque houve também o objectivo de lhes dar uma formação contínua, que foi sendo ministrada pelos professores Francisco Velez, Dinis Moreira, Ricardo Favas e Sérgio Marques.
O Grupo só terminou devido aos jovens se terem tornado adultos e terem seguido a sua vida estudantil e profissional e já não termos mais crianças e jovens com formação musical que permitisse uma continuidade.



Pelo que vou extraindo ao longo desta entrevista, a sua maior preocupação foi sempre a formação das crianças e dos jovens!?


Animação de rua com crianças

Sempre estive preocupado com a formação dos jovens através da música e com a intervenção comunitária e social envolvendo também os pais e as famílias. Posso referir outros projectos que demonstram precisamente isso.
Na Escola C+S da Chamusca, no âmbito do Clube da Música, criei a “Tuna Mix”, que tinha por objectivo a formação e entretenimento e que, durante vários anos, chegou a animar espectáculos da “Semana da Ascensão” e cortejos de Carnaval que envolviam todo o corpo escolar na elaboração de temas, criação de indumentárias, máscaras e outros materiais e que culminavam com o desfile pelas ruas da Chamusca.


Carnaval na Escola C+S da Chamusca.

Numa actividade na Escola C+S da Chamusca, com o saudoso músico e professor de música, José Augusto Lapas.

Nas minhas aulas cheguei a empregar a música com fins pedagógicos, para ultrapassar dificuldades de aprendizagem, sobretudo no estudo das preposições e dos verbos em língua francesa.
Num dado momento surgiu também a ideia da criação, no centro da Vila da Chamusca, de um Centro de Recursos, como uma extensão do existente na Escola C+S, e o qual todas as crianças do ensino pré-primário e do 1.º ciclo do concelho da Chamusca pudessem frequentar. Vieram convidar-me para implementar este projecto na área da música, com a parceria da Câmara Municipal, tendo para isso um horário laboral mais adequado. É claro que aceitei a proposta com todo o empenho. Entretanto este Projecto, que já tem cerca de 16 anos, acabou por se estender a outras áreas, nomeadamente a informática, a ciência, a natureza e a ecologia.

Sinto, pelo brilho no seu olhar, que este Centro de Recursos significa muito para si!?

 Tem um grande significado para mim, porque se desenvolveu e emancipou e já não é uma extensão da Escola Secundária. Trabalha em articulação com a Biblioteca Municipal e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), envolvendo todos os jardins de infância nas áreas musical e de informática e do 1.º ao 4.º ano só com a informática. Este apoio decorre durante todos os dias úteis da semana e com grande adesão.
Significa também o apreço pelo meu trabalho porque, depois de me reformar há cerca de 10 anos, a Câmara Municipal da Chamusca acabou por me convidar a ficar e a manter a minha participação no projecto, que contou desde sempre com o apoio do Centro Cultural de Ulme, prestado através da cedência de computadores, aparelhagens, instrumentos musicais e material áudio-visual e didáctico.


Animando a criançada, no âmbito do seu trabalho no "Centro de Recursos"

Existem outros projectos que se encontre a desenvolver?

Existem mais outros dois projectos nos quais estou a trabalhar:
Depois de me reformar fui convidado para integrar a equipa de apoio às actividades de enriquecimento curricular na área da música, percorrendo algumas escolas do 1.º ciclo do concelho da Chamusca. Para isso tenho recebido formação contínua, regular e específica na Associação Cultural Cantar Nosso, da Golegã, que também assegura esta Iniciativa desde o início. E, há cerca de 5 anos, lancei o projecto musical “Acordatecla” com o objectivo de proporcionar o ensino e aprendizagem de instrumentos musicais de cordas e de teclas. Inicialmente este projecto teve a sua sede no Centro Cultural de Ulme, onde arrancou com cerca de 30 jovens, superando todas as expectativas, ao ponto de eu ter sugerido o seu alargamento a todo o concelho, o que veio a suceder e se encontra em funcionamento.


"Acordatecla" na Carregueira.

Quais são as motivações que o levam a desenvolver e a continuar estes projectos?

Gosto do que faço e aquilo que me entusiasma e me faz continuar é ver as crianças satisfeitas e sentir que temos uma excelente relação através da música. Isso é o mais importante. Também anima que me digam que sou uma alguém que ao longo dos anos tem estado sempre empenhado em projectos culturais e musicais e que sem mim o concelho da Chamusca seria mais pobre. Sinto, também, que tenho um jeito natural para lidar com as crianças e com a música que não posso desperdiçar.


Também sempre activo na preparação técnica dos espectáculos.




Sente que se tivesse uma formação na área da música a sua vida teria seguido outro rumo, nomeadamente através de uma carreira profissional?

Se me tivessem proporcionado as condições que se podem desfrutar actualmente, possivelmente a minha vida profissional teria passado só pela música. Eu sempre quis ser professor, mas em vez de o ter sido noutra área teria sido na música e assim sentir-me-ia mais completo. Apesar de tudo, consegui com jeito colmatar muita falta de formação técnica na área musical.
Nunca iria seguir uma carreira de palco, mesmo que essa oportunidade surgisse, pois a minha vontade foi sempre a formação e o ensino. Gosto que me tratem por professor. Sinto esta palavra com um forte elo de ligação entre mim e as crianças. Sou sobretudo um animador de sala de aulas.


Igualmente um animador de Palco.



Porque é que acha que muitos músicos com licenciaturas e cursos vários na área da música, não conseguem ter este envolvimento na formação de crianças e jovens como sucedeu no seu caso?

Encaro a música como um meio para atingir um fim. Que é a humanização, o prazer, a felicidade e a auto-estima. Consegui trazer isso para a minha música, para os meus projectos e para as minhas aulas. Talvez falte isso a outras pessoas com mais qualificação na área da música e também o jeito natural para ensinar que eu tenho. A formação musical não é tudo, quando não se tem jeito para lidar social e educacionalmente com as pessoas.

Há alguma mensagem final que gostasse de deixar para quem nos acompanha neste blogue?

Gostaria de dizer que não chega ter uma vida simplesmente a carregar nos botões. Esta história vai acabar mal. Estamos a valorizar mais a questão mecânica e material em detrimento da condição humana, que se vai perdendo. Esta é a minha principal preocupação e devemos pensar nisso para que se encontre, finalmente, uma mensagem positiva.



Declamando o poema "yesterday", da sua autoria, na abertura do espectáculo do Grupo "Revirarock" na Semana da Ascensão de 2000.


Agradecimento especial a Norberto Alves e Arminda Alves. À minha FAMÍLIA, porque sem o seu AMOR o meu trabalho não seria possível . E, ainda, a Eduardo João Martinho, pela sua AMIZADE, colaboração e conselhos.

Comentários:


Mais um excelente trabalho de Carlos Oliveira.

Ana Bela Alves Primo (amiga de João Ferreira) comentou uma ligação que partilhaste.
Ana escreveu: "João, parabéns...Sinto-me muito honrada por ser tua amiga, há mais de 40 anos, mesmo quando temos um oceano a separar-nos. Li com atenção o artigo e a entrevista que te fizeram e fiquei deliciada quando vi uma foto que deve ser de 1966 ou 67 e que tem a legenda com os amigos das brincadeiras da música e algumas amigas e eu sou uma delas....foi nessa época que construímos a nossa amizade... Depois estivemos juntos em Nova Lisboa, tu a cumprir o serviço militar e eu como esposa de um outro militar...lembraste que nessa altura eu dei à luz os meus gémeos Sara e Ricardo e que o meu marido te foi convidar para os veres? Foste o primeiro a conhecê-los, depois do pai... E sempre que volto à Chamusca, vinda desta Angola que se tornou minha nova pátria, procuro encontrar-te e estar um pouco contigo meu amigo, irmão de coração. Obrigada por seres meu amigo..."

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO": 

Parece-me que não existem crianças e jovens em todo o concelho da Chamusca que não conheçam o professor João, o da música. Sempre bem disposto e animado, carregando sacos e sacos com instrumentos musicais, ora para as escolas, ora de volta, para o carro. Possui uma energia invejável, um dinamismo contagiante. Todos sabemos. Criativo, homem de grande sensibilidade, é também um observador nato e perspicaz. Um excelente comunicador. Um bom amigo. Um homem de família.

Aqui em casa, todos gostamos muito do professor João, o da música.

Parabéns pelo trabalho, Carlos Oliveira.

anaquinteiro 



João Ferreira comentou uma ligação que partilhaste.
João escreveu: "Obrigado Ana. Obrigado Emilia. Obrigado Carlos! Afinal, apesar das minhas "fugas" e escusas iniciais a estas "lides" la chegou a minha vez de ser homenageado desta forma bonita e tao vanguardista. E bom saber que o nosso trabalho e apreciado e que gostam de nos. Sentimo-nos uteis e mais apoiados, com vontade de prosseguir na nossa missao de contribuir para enriquecer e formar as criancas e jovens do nosso concelho. E verdade. Ja vao uns anitos e este sentido de missao continua indelevel porque continuo a acreditar e a realizar-me nesta profunda conviccao. A gente assim nao envelhece e atiramos as maleitas da idade para o diabo que as carregue...Como muitos outros noutras areas continuo sim a acreditar que vale a pena. Oxala consigamos dar forca e exemplo aos mais novos para prosseguir. Esta a mensagem final. Abraco. Bem-Hajam por um mundo melhor!"


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA 
DE MÚSICO": 

João fico feliz por saber que passados tantos anos ainda continuas com toda essa energia e dedicação...
Lendo esta tua história de vida relembrei-me das muitas histórias que vivemos no concurso "Nossa Terra 
Nossa Gente"...Espero que continues com toda essa tua dedicação recebendo um grande abraço do 
sempre amigo António Rato 

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO": 

Mais que um Amigo de á 30 Anos o "Professor João Augusto" deu uma ALMA á Vila de Ulme que nos faz honrar
 a sua entrega e Amizade por muitos Anos. Parabéns João por QUÊM ÉS!!! Além de Dinamizador Cultural e um 
Homem da Terra é um Ser Humano Extraordinário! Abraço João....e como se diz em Ulme.....ATÉ Á PRÒXIMA!!
Carlos Rato 


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO":
Belos momentos passados com o pr. Joao Augusto e com todos os outros quando eramos criancas e jovens. 
Vivemos bons momentos juntos sao recordacoes que hoje conta as minhas filhas e que elas custam a acreditar
 mas quando vem as fotos dizem que e pena que ja nao existe e que elas sao longe para poderem participar. 
Obrigodo por nos fazer lembrar estes bons momentos espero que continue assim por muitos e bons anos. E ate
 este verao.....

 Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO": 

Obrigado João por esta publicação, que nos traz à memória os bons momentos que partilhámos em várias destas realizações (espectáculos de Carnaval, variedades, concursos, centro cultural...). Tudo misto possível graças a essa genica que continua intacta.
A ti, peço o favor de continuares com essa energia por muitos anos, para bem de todos nós, e especialmente das novas gerações do nosso concelho a que ultimamente te tens dedicado.
Aos pais/encarregados de educação, uma sugestão - não percam o privilégio de ter como animador cultural dos vossos educandos uma pessoa como o prof. João Ferreira, que é de facto, um grande animador cultural.
Um forte abraço, João, do amigo António Granja.

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO": 

Fico muito feliz ao ver aqui reconhecido todo o trabalho, dedicação e empenho deste homem fantástico. Fui uma das crianças/jovens que com ele cresceu e aprendeu muito ao fazer parte da 1ª geração do Revirarock. Relembro com muito carinho os dias passados no Centro Cultural de Ulme, com os amigos a jogar e ler, nos ensaios do grupo e mais tarde também a dinamizar atividades. Muito obrigado a este Grande Homem, que continua a demonstrar todo o carinho e amor pela sua terra natal através da sua dedicação às crianças e jovens do nosso concelho. Com toda a certeza deixou marcas profundas em todos nós que com ele convivemos e aprendemos. Um beijinho grande para o Prof. João e para toda a família Borges/Ferreira da Lisete Fidalgo 


Cristina 

Cristina deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM ALMA DE MÚSICO":

Grande homem este, com o qual trabalhei durante os últimos 7 anos! Com ele aprendi, para além de muitas outras coisas, que a qualidade do educador se deve muitas vezes à humildade. Grande EDUCADOR! Bem hajas Carlos por dar voz a estes chamusquenses tão ILUSTRES.



Victor Azevedo deixou um novo comentário na sua mensagem "JOÃO FERREIRA, UM PROFESSOR COM
 ALMA DE MÚSICO":

Prazer em rever aqui, numa excelente entrevista, o velho amigo João Augusto na brilhante actividade lúdica
 e cultural da sua vida e também algumas fotos que me recordaram tempos idos dos finais dos anos 60 do
 século passado!... Tenho também no meu arquivo uma velhinha foto com ele (ao meio está o José Carlos
Morais, da Chamusca), talvez do ano de 1966, tirada num terraço da então Fábrica de Papel de Santa
 Maria de Ulme e que deixo com muito gosto:http://i.imgur.com/VqKBp0d.jpg 


Luis Filipe Imaginario comentou uma ligação que partilhaste.
Luis Filipe escreveu: "Sem dúvida Carlos, desta cepa não há muitos, são uma espécie em extinção."
Maria Emilia Vacas comentou uma ligação que partilhaste.
Maria Emilia escreveu: "Professor João é um Homem espectáculo,onde ele está tudo mexe só gostava de saber 
a marca das pilhas que usa.Bem haja Professor seja sempre assim"

















8 comentários:

  1. Parece-me que não existem crianças e jovens em todo o concelho da Chamusca que não conheçam o professor João, o da música. Sempre bem disposto e animado, carregando sacos e sacos com instrumentos musicais, ora para as escolas, ora de volta, para o carro. Possui uma energia invejável, um dinamismo contagiante. Todos sabemos. Criativo, homem de grande sensibilidade, é também um observador nato e perspicaz. Um excelente comunicador. Um bom amigo. Um homem de família.

    Aqui em casa, todos gostamos muito do professor João, o da música.

    Parabéns pelo trabalho, Carlos Oliveira.

    anaquinteiro

    ResponderEliminar
  2. João fico feliz por saber que passados tantos anos ainda continuas com toda essa energia e dedicação...
    Lendo esta tua história de vida relembrei-me das muitas histórias que vivemos no concurso "Nossa Terra Nossa Gente"...
    Espero que continues com toda essa tua dedicação recebendo um grande abraço do sempre amigo António Rato

    ResponderEliminar
  3. Mais que um Amigo de á 30 Anos o "Professor João Augusto" deu uma ALMA á Vila de Ulme que nos faz honrar a sua entrega e Amizade por muitos Anos. Parabéns João por QUÊM ÉS!!! Além de Dinamizador Cultural e um Homem da Terra é um Ser Humano Extraordinário! Abraço João....e como se diz em Ulme.....ATÉ Á PRÒXIMA!!
    Carlos Rato

    ResponderEliminar
  4. Belos momentos passados com o pr. Joao Augusto e com todos os outros quando eramos criancas e jovens. Vivemos bons momentos juntos sao recordacoes que hoje conta as minhas filhas e que elas custam a acreditar mas quando vem as fotos dizem que e pena que ja nao existe e que elas sao longe para poderem participar. Obrigodo por nos fazer lembrar estes bons momentos espero que continue assim por muitos e bons anos. E ate este verao.....

    ResponderEliminar
  5. Obrigado João por esta publicação, que nos traz à memória os bons momentos que partilhámos em várias destas realizações (espectáculos de Carnaval, variedades, concursos, centro cultural...). Tudo misto possível graças a essa genica que continua intacta.
    A ti, peço o favor de continuares com essa energia por muitos anos, para bem de todos nós, e especialmente das novas gerações do nosso concelho a que ultimamente te tens dedicado.
    Aos pais/encarregados de educação, uma sugestão - não percam o privilégio de ter como animador cultural dos vossos educandos uma pessoa como o prof. João Ferreira, que é de facto, um grande animador cultural.
    Um forte abraço, João, do amigo António Granja.

    ResponderEliminar
  6. Fico muito feliz ao ver aqui reconhecido todo o trabalho, dedicação e empenho deste homem fantástico. Fui uma das crianças/jovens que com ele cresceu e aprendeu muito ao fazer parte da 1ª geração do Revirarock. Relembro com muito carinho os dias passados no Centro Cultural de Ulme, com os amigos a jogar e ler, nos ensaios do grupo e mais tarde também a dinamizar atividades. Muito obrigado a este Grande Homem, que continua a demonstrar todo o carinho e amor pela sua terra natal através da sua dedicação às crianças e jovens do nosso concelho. Com toda a certeza deixou marcas profundas em todos nós que com ele convivemos e aprendemos. Um beijinho grande para o Prof. João e para toda a família Borges/Ferreira da Lisete Fidalgo

    ResponderEliminar
  7. Grande homem este, com o qual trabalhei durante os últimos 7 anos! Com ele aprendi, para além de muitas outras coisas, que a qualidade do educador se deve muitas vezes à humildade. Grande EDUCADOR! Bem hajas Carlos por dar voz a estes chamusquenses tão ILUSTRES.

    ResponderEliminar
  8. Prazer em rever aqui, numa excelente entrevista, o velho amigo João Augusto na brilhante actividade lúdica e cultural da sua vida e também algumas fotos que me recordaram tempos idos dos finais dos anos 60 do século passado!... Tenho também no meu arquivo uma velhinha foto com ele (ao meio está o José Carlos Morais, da Chamusca), talvez do ano de 1966, tirada num terraço da então Fábrica de Papel de Santa Maria de Ulme e que deixo com muito gosto: http://i.imgur.com/VqKBp0d.jpg

    ResponderEliminar