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domingo, 12 de janeiro de 2014

RIO TEJO, UM PEDAÇO DE NÓS















 O Tejo não é somente um retrato da paisagem da Chamusca. Ele é um leito da nossa identidade. Uma correnteza de sangue a pulsar no interior das nossas veias.
Filhos do Tejo serão alguns, os que nasceram no parto dos seus barcos, trazendo as redes cheias de vida da profundidade do seu ventre. Mas todos fomos gerados do seu passado; alimentados da carne do seu peixe; banhados na bacia do seu caudal; no lavadouro das suas águas lavámos a roupa que secámos sobre o estendal dos salgueiros; nele demos de beber à sede das manadas e dos rebanhos que seriam depois servidos à mesa das nossas refeições; ele irrigou os campos agrícolas de uma natureza farta e verdejante.
Meninos, de pés na água, raízes de homens e mulheres nos tornámos, crescendo livres na correnteza permanente da memória.
Por vezes, de olhos cheios, num sentimento e numa visão de lágrimas ele derramou-se e irrompeu pelo casario causando tristeza e pânico, lançando-se ao corpo da Vila num abraço de incontida liberdade. Ou submergiu os corpos, em fundões de lodo, silenciando os gritos dos afogados.
Mas o Tejo faz parte do corpo da Chamusca, é um pedaço de nós, por isso iremos continuar a admirá-lo, a senti-lo mergulhar dentro dos nossos sentidos, respirar nas nossas guelras, embarcar na viagem feliz a caminho do destino de desaguar na foz da nossa alma.

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Apresento, a seguir, uma galeria de chamusquenses que têm expressado e manifestado a sua ligação ao Rio, que lhes corre à porta, através da fotografia e que, ao longo do tempo, foram abrindo margens, fazendo a Chamusca e o Tejo desaguar nos olhos do mundo, através de trabalho, talento e muita paixão, assiduamente divulgados na internet através do facebook, de blogues e sites nacionais e internacionais de cariz fotográfico e, igualmente, apresentados e representados em exposições fotográficas, publicações, colaborações e participações em diversos eventos. No meu entender, eles são como pequenos afluentes da imagem e sensibilidade do leito do Tejo.

Filme fotográfico, acompanhado pelo fado “Nossa Senhora do Fado”, com letra e música de José Cid e cantado pelo fadista Manuel João Ferreira.



José de Jesus Bento Cabaço, nasceu a 11 de Dezembro de 1927 e faleceu a 6 de Abril de 2004.
Exercia a profissão de barbeiro quando, aos vinte e poucos anos, com o seu grande amigo Fernando Borges Lázaro, começou a fazer experiências na área da fotografia. Depois, através da aprendizagem em acções de formação, foi desenvolvendo as suas capacidades e tornou-se fotógrafo profissional.
Foram 58 anos a tirar fotografias às gentes e à paisagem da nossa Terra. Tendo sido, durante um largo espaço de tempo, o único fotógrafo profissional no concelho da Chamusca, percorrendo todas as Freguesias para tirar retratos às suas paisagens e aos seus habitantes e fazer a reportagem de casamentos, baptizados e festas diversas, deslocando-se numa bicicleta a motor.
As lentes das suas máquinas captaram e guardaram as memórias de gerações de pessoas. Fotografaram os momentos, as mudanças e a evolução da história sócio-cultural e desportiva do concelho da Chamusca.
Com a criação da “Semana da Ascensão” foi, durante muitos anos, um expositor permanente no certame.
Publicou o livro de fotografias “Regresso ao Passado”, com textos de Pedro M. S. Queimado, onde se encontram reunidas algumas dezenas, dos milhares, de fotografias que fazem parte do seu espólio e arquivo fotográfico.
Homem de fina sensibilidade e paixão pela poesia, considerava-se fotógrafo e “fazedor de versos”:
“Fazer bem estou contente
 é o mais lindo desta vida
 ser honesto e ser gente
 ao ver uma bandeira erguida.”
A homenagem que lhe foi prestada, em vida, pela Câmara Municipal da Chamusca, foi o devido reconhecimento pelo mérito do seu trabalho.













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José António Cabaço (Zé Cabaço), nasceu a 1 de Fevereiro de 1953.
 Aos 13 anos, quando deixou de estudar, começou a dar os seus primeiros passos na área da fotografia, aprendendo com o seu tio José Cabaço, que era fotógrafo profissional e tinha uma loja na Chamusca. Depois, durante 44 anos, ali exerceu profissionalmente a sua actividade e desenvolveu as suas capacidades para a “arte” fotográfica. Actualmente já se encontra reformado, mas percorre o concelho da Chamusca e algumas zonas do País a captar os rostos e as paisagens, para guardar memórias das gentes e das suas terras e porque, segundo ele, “a fotografia é uma das grandes paixões da sua vida.”
Exposições realizadas:
“Revolta no Firmamento”, que decorreu de 6 a 20 de Novembro de 2010, na Galeria do Sport Operário Marinhense, na Marinha Grande. Esta foi uma exposição a dois, onde expôs também o chamusquense Salomão Fresco.
 Nos dias 29/30 de Julho de 2011, colaborou na exposição colectiva integrada no espectáculo “Tejo Cais da Lezíria”, realizado pela Companhia de Teatro do Ribatejo e exibido no Porto das Mulheres, na Chamusca.
Individualmente realizou as exposições “Chamusca do Passado ao Presente”, exposta de 16 a 20 de Maio de 2012 no Cine-Teatro da Misericórdia, na Chamusca; “Rostos d’ ontem do passado de amanhã”, exibida de 6 a 31 de Julho de 2012 no Mercado Municipal da Chamusca e “Nuvens… com Rosto”, que esteve patente ao público de 8 a 12 de Maio de 2013, no Cine-Teatro da Misericórdia da Chamusca.
 Esteve ainda representado na exposição colectiva “Terra Branca”, realizada de 13 de Março a 5 de Abril de 2013 na Biblioteca Municipal Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.
 Relativamente às suas fotografias sobre o Tejo e os seus sentimentos ao captá-las, define-os da seguinte forma: “nasci e vivo ao pé do Tejo e fotografá-lo é recordar a minha vida, mas é também um prazer poder captar a beleza do rio.”






 















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Salomão Fresco, nasceu em 14/07/1969.
 Não sendo um profissional desta área é, no entanto, desde há muitos anos uma pessoa que dedica muito do seu tempo e da sua sensibilidade à captação de imagens fotográficas, porque para ele “a fotografia é um hobby e uma paixão antiga, tento fugir aos convencionalismos, aos "clichés", e ser original.”
Exposições realizadas:
 “De Pés bem Assentes na Terra”, exibida de 6 a 20 de Novembro de 2010 na Galeria do Sport Operário Marinhense, na Marinha Grande, onde expôs com o também chamusquense Zé Cabaço.
Participou na colectiva integrada no espectáculo “Tejo Cais da Lezíria”, levado a efeito nos dias 29 e 30 de Julho de 2011, no Porto das Mulheres, na Chamusca.
Fez parte do grupo de fotógrafos que estiveram representados na exposição “Terra Branca”, que decorreu de 3 de Março a 5 de Abril de 2013 na Biblioteca Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.
O seu sentimento em relação ao Tejo é tão profundo, quanto as palavras que explicam o porquê de fotografá-lo: “é a imagem deste rio, artéria vital do nosso Ribatejo, senhor da planície, pão, sangue e lágrimas destas gentes, que procuro descobrir e dar a conhecer.”

         Publica regularmente os seus trabalhos em: 













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Victor Gago, nasceu a de 27 de Julho de 1967.
 Trabalha para o Município da Chamusca e tem como hobby a fotografia, que surgiu na sua vida quando, ainda jovem, lhe foi oferecida a primeira máquina fotográfica a qual ainda tem em seu poder.
A maioria dos seus trabalhos estão relacionados com fotografia sobre a natureza e a vida selvagem.
Para ele, e servindo-se da citação de um autor desconhecido,
“Fotografar é congelar o momento, é travar um instante, é segurar o tempo, é tornar tudo importante, cada detalhe se mostra, cada cor se revela, nada se deixa passar, nada é irrelevante. É observar o segundo pela forma mais bela e ter nas mãos o tempo. Tão fascinante quanto o poder é poder fotografar...”
Exposições em que participou:
Tejo Cais da Leziria” – Exposição colectiva sobre o Rio Tejo, que decorreu nos dias 29 e 30 de Julho de 2011, integrada no espectáculo com o mesmo nome e realizado no Porto das Mulheres, Chamusca.
Uma Terra, Tantas Imagens” – Exposição “SFA”80 Anos – Socidade Filarmonica Alpiarcense 1º de Dezembro. Realizada de 03 a 11 de Dezembro de 2011 no salão dos Bombeiros Voluntários de Alpiarça. Constituída por fotografias captadas na 1º Maratona de Fotografia de Alpiarça e onde expuseram cerca de 30 fotógrafos amadores.
 “Terra Branca”, exposição colectiva, realizada de 3 de Março a 5 de Abril de 2012 na Biblioteca Municipal Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.
Exposição colectiva “Avieiros do Tejo”, organizada pelo Grupo de Fotógrafos Amadores do Ribatejo e levada a efeito no dia 1º de Maio 2012 na Junta de Freguesia de Vale Figueira (3º Dia Nacional do Avieiro) e reposta em Julho de 2012.
O Outro Lado da Cor” – Organizada pelo Grupo de Fotógrafos Amadores do Ribatejo e exposta em:
Chamusca – Semana da Ascensão, de 8 a 12 de Maio de 2013;
Abrantes – Biblioteca Municipal António Botto, de 12 de Junho a 4 de Julho de 2013;
Golegã – Casa Estúdio Carlos Relvas, integrada na Feira de São Martinho, de 01 a 11 de Novembro 2013;
Participação em publicações:
Festival de Imagem de Natureza (CINCLUS) – Participação colectiva de fotografia de Natureza e Vida Selvagem, Janeiro de 2011 e de 2012.
Participação na Revista “É Ribatejo”.
Publicação da fotografia “Lua Azul” na revista “National Geographic”.
Colaboração com a “Naturadata” com fotografias sobre a fauna e flora.
Participa anualmente no Fim de Semana Europeu de Observação de Aves, no Boquilobo, com a organização da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e QUERCUS de Ourém.

        Publica regularmente os seus trabalhos em:



















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Vítor Manuel de Oliveira Maia, nasceu em 19 de Novembro de 1963.
            Segundo ele, “a fotografia é a forma de captar o que os olhos vêem, mas através das lentes ou seja imortaliza o que os seus olhos vêem e a minha alma sente.
É uma forma de marcar o passado, o presente e mais tarde o futuro. As fotografias são uma fonte de memória, através delas podemos guardar varias recordações do que vamos vivendo e podemos vê-las sempre que tivermos saudades.
Fotografar para mim é uma paixão é uma maneira de dar a conhecer um pouco de mim.
Não há nenhum termo certo que demonstre o que se sente ao fotografar, pois cada pessoa ao fazê-lo demonstra sentimentos diferentes.”
Relativamente a exposições, esteve representado na exposição colectiva “Terra Branca”, realizada de 13 de Março a 5 de Abril de 2013 na Biblioteca Municipal Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.
Os motivos que o levam a tirar fotografias ao rio, são assim exprimidos: “ao fotografar o Rio Tejo sinto-me livre, tal como as suas águas que percorrem o seu caminho à procura de novos horizontes, tentando assim transmitir às pessoas que as vêem a sensação de liberdade.”



       
          
         
      
        
      
      
     
          
          Agradeço a todos os que colaboram e estão representados neste Trabalho. Agradecimentos ainda para Anabela Cabaço e Armando Alves, que tornaram possível falar sobre José Cabaço e publicar algumas das suas fotografias.
          Agradecimento especial para o meu filho Daniel Oliveira, que construiu o postal que abre esta página e realizou o filme que é um "retrato musicado" sobre a alma que envolve o Tejo.

Comentários:

João José Bento comentou uma ligação que partilhaste.
João José escreveu: "Quem fotografa a Chamusca com esta maravilha, merece que eu lhe dedique esta quadra de um poema de José Pinhal. A pena na tua mão, pinta com tal realeza, que faz da Vila dos Silvas, a Mais bela Portuguesa !!! É este o tributo que presto aos fotógrafos chamusquenses, que com as suas máquinas, fotografam com tal realeza os encantos da desta bonita vila beira Tejo plantada. Aos cibernautas, aos amigos do faice, ao público em geral deixo um convite, partilhem as belezas da Chamusca, vistas por estes pintores da arte de fotografar. Ao Carlos Oliveira, palavras para quê, mais um trabalho excelente de um amante da mais Bela Portuguesa !!!A nossa bonita Chamusca !!!"
Antonio Diniz
Bons trabalhos que servem para manter a nossa história e tradições vivas... Continua. Um abraço

Maria Emilia Vacas
lindo.
Leonor Mauricio
Obrigado a quem colocou e a quem tirou a fotografia, é linda...


Sérgio Vergamota
Quantas fotografias me tirou ... Queixo para o lado pescoço para cima,
 não rias, muitos "guarda-chuvas" à volta e de repente ... FLASHHHH!
 Saudoso Zé Cabaço!


Antonio da Luz13 de Fevereiro de 2014
Um bom amigo...Um profissional a sério.

Cristina Costa13 de Fevereiro de 2014 
Um primo mto querido, um profissional fantástico



1 comentário:

  1. É difícil encontrar palavras para descrever o que senti quando, por brincadeira com uma colega minha, procuramos os nossos nomes no Google. Muita coisa apareceu, 2 eu não sabia que estavam on-line. Uma, um texto escrito há muito tempo outro, outra este Blogue. E como me sinto? Estarrecido, encantado, porque simplesmente não estava à espera ... Estou literalmente arripiado com as lágrimas nos olhos ... Obrigado pelas emoções que neste momento me fazem tremer de emoção ... _/\_

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