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domingo, 3 de novembro de 2013

VÍTOR BOTAS, AS ASAS DE UM CAMPEÃO




Com o troféu de Campeão Olímpico de Standard, conquistado em 1993 na exposição mundial realizada nas Ilhas Canárias.

VÍTOR MANUEL SALGADO BOTAS, nasceu em 02/08/1937, na Vila da Chamusca.
         Como o próprio afirma, nasceu praticamente columbófilo. As suas primeiras brincadeiras de infância foram feitas com penas de pombo e  admirando as aves do pombal do avô.
         Quando, em 1950, se criou a Associação Columbófila da Chamusca, o jovem de 13 anos pôde então começar a demonstrar todo o seu gosto pelos pombos, com a sua presença constante na barbearia, que servia de sede, onde se reuniam os columbófilos da Vila.
         Com os ovos e os pombos que os outros não queriam, começou aos 14 anos a criar pombos. Em 1954, aos 17 anos, ganhou quatro provas na categoria desportiva (sport), tendo igualmente um pombo que recebeu o prémio de melhor voador da campanha.
         As suas capacidades columbófilas começaram progressivamente  a definir-se com as vitórias que foi obtendo, só interrompidas pelo serviço militar obrigatório.
         Quando regressou, em 1960, trazia a ideia fixa de criar apenas pombos azuis listrados. Espécie que foi desenvolvendo e apurando e com a qual, contra todos os prognósticos e opiniões, se tornaria campeão em inúmeras provas de velocidade, meio-fundo e fundo na Associação Columbófila da Chamusca, na Associação Columbófila de Almeirim, onde voou três anos,  e igualmente a nível distrital.
         Foi campeão geral em praticamente todos os anos em que competiu, tornando-se uma enorme referência da Columbofilia desportiva, mantendo até hoje 3 recordes que parecem imbatíveis: na Associação Columbófila de Almeirim enviou 30 pombos para uma prova, tendo conseguido classificá-los a todos; a nível distrital conseguiu o feito de ter conquistado os três primeiros lugares numa prova de meio-fundo; detém desde 1972, no Clube Columbófilo da Chamusca, o melhor tempo e recorde da prova de Valência del Cid.
         Os seus métodos de treino em muito contribuíram para estes êxitos. O voar “à viuvez”, que consistia em separar machos e fémeas, para lhes acicatar o desejo de estarem juntos, mostrou-se fundamental no seu trajecto vitorioso.
         A sua ligação aos pombos era tão forte, que bastava um simples bater de asas, a silhueta de um pombo no céu para logo o identificar. Pôr-se de pé junto do pombal era o suficiente para os seus pombos, que andavam a voar, regressarem aos cacifos sem ser necessário o uso do apito.
         Esta simbiose entre o homem e o pombo tornou-se ainda mais evidente e gloriosa, quando Vítor Botas aderiu à categoria de standard, que consiste na exposição dos pombos, que são avaliados pela sua elegância, plumagem, ossatura e equilíbrio.
         Através do cruzamento de várias espécies conseguiu criar pombos que lhe deram uma dimensão extraordinária, ao ser Campeão Nacional durante 18 anos, ter obtido por várias vezes o título de Campeão Ibérico e a coroa extraordinária de rei do standard mundial, ao ser Campeão Olímpico em 1993, nas Ilhas Canárias, ente milhares de participantes.
         Antes da fabulosa vitória olímpica, já a Revista Columbofilia, em 1984, o considerava o melhor columbófilo português de todos os tempos na categoria standard e também o belga Jules Dehautschutter, no livro “O Caminho do Êxito”, publicado na Bélgica e traduzido para muitos outros países, entre eles Portugal, o incluía entre os grandes columbófilos mundiais.
         Esta sua envolvência com os pombos estendeu-se igualmente à Direcção Associativa, tendo sido Director do Clube Columbófilo da Chamusca, da União Columbófila de Almeirim e Director Técnico da Associação Columbófila do Distrito de Santarém.
         Por toda esta sua dedicação, empenho e trajecto de sucesso em Portugal e a nível mundial, seria agraciado pela Federação Portuguesa de Columbofilia com a medalha de prata, a medalha dourada e os diplomas de louvor respectivos, “pelos serviços relevantes prestados à Columbofilia.”
         No ano de 2000, infelizmente, por razões que se prendem com a sua vida profissional, viu-se obrigado a abandonar a columbofilia e a vender os seus pombos, terminando assim uma carreira extraordinária.
         Contudo, todo o seu longo percurso de dedicação, colaboração e de êxitos retumbantes é inapagável e colocam-no e elevam-o ao pódio da columbofilia Portuguesa e Mundial, à história da qual ficará ligado para sempre.
         Este é, pois, o bater de asas inesquecível de um grande CAMPEÃO!

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Como é que nasceu a sua paixão pela columbofilia?

Costumo dizer que nasci praticamente columbófilo. O meu pai faleceu de tuberculose  tinha eu 18 meses. Fui criado pela minha mãe e também pelos meus avós que tinham alguns pombos. As brincadeiras da minha infância eram feitas a correr, com duas penas grandes uma em cada mão, a imaginar que voava e à volta de um cacifo com um casal de pombos.
Mais tarde, em 1950, o António Ai, o José Palmeta e o Augusto Ferreira Lourenço, formaram a Associação Columbófila da Chamusca. Não havia sede e as reuniões faziam-se na barbearia do António Ai, onde eu também aparecia frequentemente. Nessa altura, com apenas 13 anos, não tinha qualquer pombo, mas já mostrava muito interesse pela columbofilia. Devido a isso o José Araújo deu-me uma fémea e o Gaspar Almeida e Silva dois ovos. Um ovo viria a partir-se mas do outro nasceria um pombo vermelho.
E foi assim que em 1954, aos 17 anos, com alguns pombos filhos daquele casal, fui vencedor de quatro provas realizadas pela Associação da Chamusca e obtive o prémio de melhor voador da campanha, com um pombo vermelho nascido daquela reprodução. Perante estes resultados comecei logo a aperceber-me que, para além do gosto, tinha muito jeito para os pombos. Por isso fui arranjando outros e vencendo cada vez mais provas.

Começou aí o voo imparável do campeão?

Não, porque em 1958 tive que ir para o serviço militar mantendo apenas no meu pombal dois casais de pombos azuis.
Só ao terminar a tropa, em 1960, voltei novamente a ligar-me aos pombos, trazendo uma ideia fixa de começar a criar somente pombos azuis listrados. Apesar de todos me dizerem que era muito difícil conseguir só ter pombos dessa cor e obter bons resultados, tal viria a constatar-se não ser verdade, pois comecei aí a minha carreia de campeão geral de sport na Chamusca. Título apurado através do somatório dos pontos obtidos pelas classificações dos pombos nas provas de velocidade, meio-fundo e fundo.



O sorriso de um Homem a caminho do êxito.

Como é que se obtinha a classificação dos pombos que participavam nessas provas?

No início não existiam máquinas para registar as anilhas dos pombos quando estes chegavam das provas. Por isso quando cada um chegava, corria-se para casa do Gaspar Almeida e Silva, que tinha lá uma base em madeira com um prego e o primeiro que enfiasse a anilha nesse prego é que ganhava. Não haviam coordenadas, descontava-se apenas 11 segundos por cada 100 metros de distância da casa do Gaspar, tempo só mesmo ao alcance de grandes atletas do atletismo, o que fazia com que ganhassem quase sempre aqueles que tinham os pombais mais perto.
Isto acabou, quando mais tarde se compraram duas máquinas para registar as anilhas. Contudo não posso deixar de recordar com grande saudade aqueles domingos, com a agitação de tanta gente a correr pelas ruas da Vila, dando vida e alegria à Terra.
Actualmente é mais fácil e correcto registar o tempo feito pelos pombos nas provas, não molestando as próprias aves. Porque enquanto nós tínhamos que os agarrar para lhes tirar as anilhas e registá-las nas máquinas, hoje os pombos têm um chip na anilha e entram directos e soltos no pombal, porque são registados à entrada pelos sensores existentes nos pombais.

Pode precisar os principais títulos que conquistou com os seus voadores nas diversas provas sport?

Por épocas é mais fácil fazê-lo. Na Chamusca, de 1960 a 1964 fui campeão geral. De 1964 a 1966 houve uma interrupção na actividade na Chamusca, com o fim da Associação Columbófila, que viria a ser activada ainda em 1966 pelo Traquínio Castelão e pelo Vitorino Tanoeiro. Depois voltei novamente desde 1967 a 1881 a ser o campeão geral na Chamusca.
De 1982 a 1984 fui voar para a Associação Columbófila de Almeirim, onde fui campeão durante essas 3 épocas. Ali ainda mantenho o recorde de ter enviado 30 pombos para uma prova e tê-los classificados a todos.
Em 1985 regressei à Associação Columbófila da Chamusca onde fui campeão geral até ao ano de 2000, quando abandonei a columbofilia.
Obtive também muitas vitórias a nível distrital. O maior destaque foi o de ter obtido os três primeiros lugares numa mesma prova de meio-fundo.
Em 1972 tive um pombo que ganhou a prova de Valência Del Cid e que fez um recorde que se mantém imbatível, na Chamusca, até hoje.
Gostaria de referir o facto, que para mim é um título, de ter tido um pombo que, em apenas 3 anos, voou 17 vezes ao fundo (provas com mais de 500 Kms), tendo-se classificado sempre.


Recebendo o troféu por mais uma vitória.

Tinha algum método especial de treino, ou de outra natureza, para os seus pombos obterem tão bons resultados?

Até 1964 fui treinando voando ao natural. Os machos e as fémeas viviam juntos no mesmo pombal. Mas o Pé-de-Figueira “velho” tinha lido um livro de Leão Maia e começou a seguir as suas instruções para praticar outro tipo de treino que era “a viuvez”. Este método consiste em separar os machos das fémeas, não só durante os treinos mas também durante as provas, só na chegada voltando a ficar juntos no cacifo. Isto obrigava os pombos a voar com mais intensidade e a chegar dos concursos mais rapidamente, por causa do sexo.
O Pé-de-Figueira não obteve grandes resultados, mas quando eu implantei este método, em 1964, tendo apenas 11 pombos, consegui ganhar 11 primeiros prémios.
Durante muito tempo também voei com as fémeas à viuvez. Só que se chegava a meio da campanha e elas acabavam por se acasalar com outras, perdendo o interesse pelos machos e já não regressando das provas para os primeiros lugares.
Mas eu tinha também o meu próprio método de treino para recuperar os pombos depois dos concursos.  De manhã punha-os a voar 10 ou 20 minutos. De tarde, por volta das 17:30, deixava-os esvoaçar uma hora em liberdade. Os que não aguentavam regressavam ao pombal, directos ao cacifo, os outros iam ficando no ar.
Na quarta-feira já estavam todos recuperados do esforço da prova anterior e assim podiam sair todos os domingos na máxima força.

Grande parte desses prémios obteve-os como membro do Clube Columbofilo da Chamusca. Era um Núcleo importante?

Nós tínhamos muitos associados, o que levou a um grande envolvimento das pessoas da Chamusca na columbofilia. Tivemos muita gente com mérito que ganhou várias provas a nível distrital. Levando, inclusivamente,  a Associação da Chamusca a ser algumas vezes campeã distrital de fundo.
Para além disso havia um excelente ambiente e muita amizade, mantendo-se dessa forma uma vida associativa muito importante para o desenvolvimento social da Chamusca.
Fico contente por ter contribuído também como Director, durante vários anos, para que se mantivesse a actividade nesse Clube.

Algumas fotos relativas a actividades do Clube Columbófilo da Chamusca


Usando da palavra, ladeado à direita por Custódio Aranha uma das maiores referência do Associativismo na Chamusca.


Numa foto (no Montepio União Chamusquense) com muitos daqueles que contribuíram para que o Clube Columbófilo da Chamusca tivesse tido uma grande implantação associativa na Vila e uma excelente representação a nível distrital e nacional. À direita, de fato preto, está José Palmeta outro dos fundadores do Clube e grande columbófilo.



Uma foto de grupo. Na fila de baixo, de casaco preto, encontra-se António Ai, um dos fundadores do Clube Columbófilo da Chamusca.

Início dos anos 70, recebendo vários troféus das mãos do Presidente da Câmara, Eng.º Lopes da Costa.





Com outros membros da Direcção, por detrás da bancada de prémios para serem atribuídos numa época desportiva.



Com o filho Bruno depois de uma entrega de prémios. As mãos carregadas de troféus.



Recebendo um troféu, entregue pelo Presidente da Câmara Municipal da Chamusca Sérgio Carrinho. Mais à direita da foto encontra-se Vitorino Tanoeiro, um dos homens que foi responsável pelo reinício da actividade do Clube Columbófilo da Chamusca. 

Para além desse cargo na Chamusca, teve mais algum a nível directivo?

Fui igualmente Director durante o período em que permaneci na Associação Columbófila de Almeirim e pertenci ao Conselho Técnico da Associação Columbófila do Distrito de Santarém.

Mesmo com tanta envolvência, ainda teve asas para um novo desafio. Como é que se deu a sua entrada gloriosa no standard?

Quando o Arménio Esteves publicou no Mundo Columbófilo, uma revista nacional sobre pombos correios, o regulamento sobre pombos standard, uma espécie de concurso de beleza onde os pombos eram pontuados pela sua elegância, ossatura, asas, plumagem e equilíbrio, dei uma volta pelos meus pombos e vi lá um que pareceu reunir essas condições. Houve uma exposição em Torres Novas e levei esse pombo. O curioso é que me deixaram pagar  a inscrição, que custou 10 escudos, e no final apesar da ganhar o 1.º prémio não mo deram, dizendo que não o podia receber devido a não pertencer àquela Associação.
Essa peripécia não me desanimou e ainda nesse ano acabei por ser campeão distrital standard com o mesmo pombo.
Mais tarde, num leilão de borrachos nos Riachos, comprei uma fémea para acasalar com aquele pombo e foi daí que nasceu a minha criação de pombos de standard.



Colocando um pombo no cacifo numa exposição distrital.

Como é que fez dos seus pombos campeões de standard?

Isso aconteceu sobretudo através do cruzamento de espécies.
Quando comecei os romenos ganhavam as olimpíadas todas, porque tinham um tipo de pombos que não existiam em Portugal. Como os romenos tinham dificuldades nas máquinas registadoras de anilhas, o Presidente da Federação Portuguesa de Columbofilia, Júlio Jarego da Fonseca, conseguiu fornecer-lhas com uma contrapartida, que envolveu a vinda de alguns pombos deles para Portugal e que foram leiloados em Lisboa. Eu comprei uma fémea que introduzi entre os meus pombos e que melhorou a minha qualidade para o standard.
Mas a coisa não ficou por aqui, porque mais tarde o Júlio Jarego da Fonseca importou pombos do Dourdin, de França, que eram aves extraordinárias. Quando ele os vendeu em leilão, eu comprei um macho que foi acasalado com a pomba romena e que melhorou o sentido do standard. Mais tarde viria também a obter melhorias a nível da cor com a inclusão entre os meus pombos de uma pomba Strasser, que tinha vindo da Ilha da Madeira, de cuja reprodução saiu um macho que foi campeão nacional de standard em todas as suas 4 participações.



Os seus resultados foram extraordinários, em Portugal, na Península Ibérica e no mundo!?

Alcancei grandes resultados. No livro “O Caminho do Êxito”, escrito pelo belga Jules Dehantschutter, sou referenciado como um dos grandes columbófilos mundiais e na foto ali publicada, à direita surge o macho com o qual fui, simultaneamente, campeão nacional de standard, campeão nacional de velocidade e de meio-fundo. Este macho representou ainda Portugal nas Olímpiadas de Tóquio em 1980, exposição que teve a particularidade extraordinária dos 10 pombos que representaram Portugal naquele Certame, 6 serem meus.


Na página 225 a relevância dada a Vítor Salgado Botas e aos seus pombos.

Mas, sem qualquer dúvida, a maior relevância foi ter sido durante 18 anos Campeão Nacional de standard. Campeão Ibérico por várias vezes e ter obtido o título de Campeão Olímpico em 1993, na exposição mundial realizada nas Ilhas Canárias, entre milhares de concorrentes.


Imagem da pomba que ganhou o título olímpico.

Contudo, nesse mesmo ano pus termo ao standard. Os pombos para poderem participar tinham que ter feito nos dois anos antecedentes 2.000 quilómetros de voo em provas, o que causava estragos e defeitos nas penas. Então começaram a aparecer sujeitos que matavam os pombos e lhes tiravam as anilhas para as enfiar em borrachos e assim enganarem e falsificarem os resultados, dado não haver forma de identificar os pombos a não ser pelas suas anilhas. Eu não queria fazer o mesmo, nem alinhar com essa batota, por isso abandonei as provas standard.






Mais um troféu para a sua preenchida galeria. No centro da fotografia, à direita, está o antigo Presidente da Federação Portuguesa de Columbofilia, Gaspar Vila Nova. 


Dando uma entrevista para uma jornalista alemã, no Palácio de Cristal, no Porto.

Tantas vitórias e recordes foram fruto de algum segredo?

Os outros deram-me os ovos e os pombos que não queriam e foi com eles que comecei a minha vida na columbofilia e a ganhar. Por isso penso que foi o facto de ter nascido com uma sensibilidade especial para os pombos que me levou a ter tanto êxito e a obter tantos prémios e vitórias.
Eu entendia a linguagem dos pombos pelo voar, pelo bater das asas. Só pela maneira de se manifestarem já sabia de antemão que iam vencer as provas.
Sentava-me num banco dentro do pombal, onde tinha  20 viúvos e, sem olhar, só de sentir o seu bater de asas no voar para o chão e para o cacifo,  sabia de que pombo se tratava.
Quando um dos meus pombos surgia no ar eu identificava-o logo.
Tinha uma grande memória visual para os pombos. No meio de mil era capaz de identificar um que me tivesse passado pela vista.
A nossa ligação era tão forte e os pombos estavam tão educados, que quando eles andavam a voar bastava pôr-me de pé, junto ao pombal, para eles descerem do céu e entrarem para os cacifos sem ser necessário qualquer apito.


Apreciando o seu famoso "Clarito" vencedor de uma exposição nacional no Porto.

Perante tanto sucesso e sensibilidade em relação aos pombos, quais foram as razões que o levaram a abandonar a columbofilia?

Como a minha profissão de sempre foi a de agricultor e vivia de uma exploração vitivinícola, em 2000, com a falência da Adega Cooperativa da Chamusca, que me ficou a dever 2.000 contos, vi-me obrigado a fazer um leilão de pombos em Coruche para salvaguardar a minha vida e que, curiosamente, me rendeu 2.000 contos. Nesse dia foi o desfazer dos pombais, de toda uma vida de dedicação aos pombos e à columbofilia para salvar a economia da minha casa.

Isso significa que apesar de tantos êxitos não ganhou muito dinheiro?

Os prémios foram sobretudo troféus, medalhas e taças. Gastei muito dinheiro com os pombos. Na sua alimentação, na compra de vitaminas e na sua inscrição nas provas. Só recuperei e ganhei dinheiro com a venda dos pombos que fui fazendo a nível nacional. O sangue dos meus pombos está por todo o país e deu origem a muitos campeões.



Um olhar sobre uma parte da sua sala de troféus. 

O que é que sentiu ao deixar para trás 50 anos da sua vida?

         Nunca pensei que ia conseguir viver sem os pombos, mas hoje apaguei completamente a ideia sobre eles. Só não me consigo livrar deles quando durmo, porque muitas vezes ainda sonho com eles.

O que é que os pombos e a columbofilia significaram para si?

Significaram muito. A primeira coisa que fazia quando me levantava era limpar os pombais e pôr os pombos a voar. Só depois tomava o pequeno-almoço. Limpava 5 pombais, três vezes ao dia. Só quando não estava presente ao almoço, porque almoçava no campo onde trabalhava, é que a minha mulher tinha o trabalho de os limpar. Prejudiquei muito a minha vida porque não entregava os pombos a ninguém e não saía praticamente da Chamusca. Sacrifiquei muito a minha mulher e também o meu filho.
Mas os pombos e a columbofilia trouxeram-me também grandes amizades com pessoas de todas as classes sociais. Recordo aqui com especial apreço o Dr. Tereso que é actualmente o Presidente da Federação Portuguesa de Columbofilia e um médico de grande craveira e também o anterior Presidente daquela Federação, Gaspar Vila Nova.
Permitiram-me conhecer o país inteiro e também as Ilhas Baleares, nas minhas deslocações para participar nas provas standard.


Recebendo os prémios em mais uma participação numa exposição nacional realizada no Porto.

Para além do reconhecimento pela minha dedicação, por parte dos amigos e columbófilos em geral, destacando-se a própria Federação Federação Portuguesa de Columbofilia que me distinguiu com a medalha de prata e, num jantar de homenagem realizado em Mira, me atribuiu a medalha dourada e respectivo diploma, “pelos serviços relevantes prestados à columbofilia”.




12/01/1985 - Recebendo das mãos do Presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Sérgio Carrinho, a medalha atribuída pela Autarquia como reconhecimento pela sua intervenção sócio-cultural e desportiva.



12/01/1985 - Proferindo um breve discurso após receber uma salva de prata que lhe foi oferecida pelos seus amigos e columbófilos como reconhecimento pela sua grande dedicação e amizade.



Mais uma homenagem. No restaurante "Poizo do Besouro", recebendo uma placa atribuída pela Junta de Freguesia de Chamusca e entregue pelo Presidente Emídio Cegonho.



No dia da homenagem no restaurante "Poizo do Besouro". Apagando as velas de um bolo com o único fundador do Clube Columbófilo da Chamusca ainda vivo, Augusto Ferreira Lourenço.




Medalha dourada que lhe foi atribuída pela Federação Portuguesa de Columbofilia.

Quer deixar alguma mensagem final?

Queria deixar um grande agradecimento ao José Carlos Malaquias, porque nas viagens que fiz para as exposições foi sempre ele quem fez o meu transporte e o dos pombos.


Gostaria de dedicar este trabalho a todos os que fizeram da sua vida um caminho de dedicação ao Associativismo. O progresso e o desenvolvimento de qualquer Terra dependem muito deste movimento de integração social.
Dedicação extensível ao AMIGO de todos os dias e que tem colaborado comigo no decurso destes trabalhos: JOÃO JOSÉ BENTO.
Mais uma vez, em especial à minha MULHER. Porque desde sempre me tem incentivado e apoiado na divulgação dos Valores da Chamusca, que embora não seja a sua Terra a recebeu com muito carinho. 

Comentários no facebook e no blogue:

João José Bento comentou uma ligação que partilhaste.
João José escreveu: "VÍTOR SALGADO !!! Parabéns ao Carlos Oliveira, pelo trabalho realizado para a história do desporto nacional e internacional. Ao Vitor Salgado, estes são tributos mais que merecidos a um homem que sempre foi considerado ao nível internacional como um dos melhores columbófilos do mundo. A Chamusca também tem campeões Olímpicos !!!"

Aurelina Maria Conde Rufino
Aurelina Maria Conde Rufino
Parabéns ao homenageado e a quem fez a homenagem. Parabéns, também, a quem tem memória.
Paulo Major
Paulo Major4 de Novembro de 2013 9:19
sem duvida um grande campeao .ainda tive o prazer de concorrer com o vitor nos anos 80 e onde foi canpeao da classe jovens .

Rui Santos
Rui Santos3 de Novembro de 2013 22:29
Um grande Senhor... Saudades das historias que me contava quando eu era miudinho e os conselhos que me dava em relação aos pombos que serviram para o alcance de alguns troféus. Saudades desses tempos...
Eduardo Sousa
Eduardo Sousa4 de Novembro de 2013 8:02
PARABENS CAMPEAO
UM CHAMUSQUENSE COM PRÉMIOS OLÍMPICOS !!!

Antonio Julio Ferreira
Antonio Julio Ferreira4 de Novembro de 2013 23:40
foi uma grande referencia da columbofilia nacional,desejo que se encontre ainda bem de saude,o meu obrigado pelo que fez de muito bom na columbofilia

João Zarcos Horta
João Zarcos Horta5 de Novembro de 2013 5:03
Gosta de ter pombos um casal de pombos das linhas que ele antigamente cultivava...
J Ferreira Ferreira
J Ferreira Ferreira5 de Novembro de 2013 21:17
Famoso Salgado Botas, eu tive por intermedio de um velhote de Muge eram dos pombos do ´Zé Maria da Siva

J Ferreira Ferreira
J Ferreira Ferreira5 de Novembro de 2013 21:18
isto em 1984/5
Luis Filipe Imaginario
Luis Filipe Imaginario7 de Novembro de 2013 14:08
É isto que fazia falta na CHAMUSCA, alguém que mostre a toda a comunidade os feitos e mérito de grandes Chamusquenses que não são conhecidos da generalidade das pessoas, mas somente de uma minoria, este é mais um grande exemplo do que afirmo pois o Vitor Botas é um mais um caso de grande mérito, por isso PARABÉNS ao Vitor Botas e um agradecimento muito especial a quem está a fazer este e outros trabalhos sobre figuras da nossa Terra, e também pela forma que o está a fazer, que já caíu em desuso nestes tempos.......desinteressada e apaixonada, OBRIGADO CARLOS.
JORGE SANTOS3 de Novembro de 2013
Vitor Salgado Botas, um homem com quem tive o previlégio de contatar no Clube Columbófilo de Chamusca e que levou o nome da Chamusca por este nosso País e além fronteiras, ainda hoje o nome dele é recordado pelos columbófilos deste País. Já tive em vários pontos do País por causa da Columbófilia e quando digo que sou da Chamusca, perguntam-me logo se conheço o Vitor Botas. O Vitor Salgado, como é conhecido na Chamusca, vai sempre ficar ligado a este desporto e será sempre recordado pelos feitos que conseguiu. Deixo aqui uma palavra aos mais jovens, pratiquem a Columbófilia, um dos desportos mais lindos que se podem praticar, apareçam na sede do Clube Columbófilo e apreciem os feitos que os nossos pombos fazem, Na Guerra Mundial o pombo era considerado um Soldado fardado com penas, salvaram muitas vidas, pois Eles eram um meio de comunicação utilizado na altura. A conversa já vai longa, resta-me dar um abraço ao Vitor Salgado e claro, ao Carlos por mais um excelente trabalho, continua em frente é algo que fica, para mais tarde recordar. Bem Hajam!

Eduardo Martinho deixou um novo comentário na sua mensagem "VÍTOR BOTAS, AS ASAS DE UM CAMPEÃO": 

Acabei de ler o trabalho sobre o Vítor Salgado, que muito apreciei. A leitura trouxe-me à memória muitos nomes e lugares que me eram familiares na minha juventude. Fomos contemporâneos de tenra idade na Chamusca, vivíamos relativamente perto um do outro, ele em casa do avô e eu ao lado do seu tio Manuel Salgado. Sabia que o seu amor pelos pombos o tinha transformado num distinto columbófilo (até pelo que li na Chamusca Ilustrada em meados da década de 1970), mas não fazia ideia de que tinha atingido um patamar tão elevado. Não há dúvida: um Homem pode honrar a sua Terra de muitas maneiras. Parabéns! 

João Bento deixou um novo comentário na sua mensagem "VÍTOR BOTAS, AS ASAS DE UM CAMPEÃO": 

Vitor Salgado, como sempre o tratei é sem dúvida alguma uma referência mundial da columbófilia. Nasceu com a sensibilidade e a inteligência dos dos grandes campeões, aceitou desafios que outros julgavam ser impossível conquistar. Vitor Botas, levou o seu nome e o nome da Chamusca pelo país inteiro e pelo mundo fora, sendo destacado pelo melhor comentador, analista, especialista e escritor na área da columbofilia na sua publicação "O Caminho do Êxito, Apesar de todos estes seus triunfos, continua a ser um homem simples na senda dos grandes campeões olímpicos. 
  • Jorge Tavares Victor Salgado Botas
    Um Sr: da Columbofilia Naçional

  • Vitor Quintino Com uns azuis, clarinhos, ganhou tudo no Distrito de Santarem! Grande SENHOR!Bem haja.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

BANDA DA CARREGUEIRA, UM TRIBUTO À MÚSICA





"A Rosinha dos Limões"

Em 1928, um grupo de homens da Carregueira que tinha por hábito dançar, tocar realejo e gaita de beiços, fazendo animação nas eiras e nos largos públicos, imaginou ser possível ir mais longe na música e criar uma Banda.
Durante cerca de 2 anos dedicaram-se à aprendizagem, conseguiram adquirir alguns instrumentos, e sob a orientação de um maestro começaram a tocar trechos musicais.
Foi assim que no dia 30/05/1930 (Quinta-feira de Ascensão) se concretizou a formação da Banda da Sociedade de Instrução e Recreio Carregueirense “VICTÓRIA” e ocorreu a sua primeira actuação pública no Largo da Corticeira, na Carregueira
No início a Banda tinha uma farda branca, indumentária que entretanto viria a sofrer várias alterações. Vestiu o tom cinzento, depois azul escuro e desde há alguns anos o bordeaux no casaco e o cinzento nas calças.
Ao longo da sua existência a Banda tem participado em diversos eventos no concelho, nomeadamente em organizações da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal da Chamusca, com destaque para a Semana da Ascensão e outras datas marcantes como o 25 de Abril ou o 5 de Outubro, tendo sido igualmente muito requisitada para actuar em  todo o país em corridas de touros, festividades, concertos e espectáculos musicais.
         Destas suas actuações a nível nacional são de referenciar, em Setembro de 1998,  a convite da Direccção do Sport Lisboa e Benfica, a sua participação no concurso de bandas realizado no Estádio da Luz e  em Agosto de 1999, através de um intercâmbio com a Banda Filarmónica Liberdade do Cais do Pico, a sua deslocação aos Açores, onde realizou várias actuações nas Ilhas do Faial e do Pico.
         Mas a qualidade musical da Banda extravasou mesmo as fronteiras nacionais, quando no ano de 1997 foi convidada para estar presente  nas Comemorações do Dia Nacional de França (14 de Julho), tendo, naquele país, actuado nas cidades de Paris e Nevers onde colheu excelentes críticas do público e da imprensa.
Em Janeiro de 1998, a Banda passou por um processo de integração na  Associação para o Desenvolvimento Sócio-Cultural e Desportivo Victória, Unidos (AVUCA), uma aspiração antiga que movia os carregueirenses para congregar todas as colectividades da sua localidade numa única. Integraram igualmente essa Associação: a Sociedade Musical  “Os Unidos", Rancho Folclórico “Os Camponeses” e Associação de Jovens “Nova Era”. Contudo, este projecto associativo não deu resultado e, em 2004, a Banda teve que constituir uma Comissão Administrativa para poder continuar a sua actividade, dado ser necessário assinar protocolos, contratos, documentos  e outros assuntos burocráticos, o que ainda assim não evitou que tivesse passado por momentos muito difíceis, com o processo de insolvência da AVUCA, tendo os seus instrumentos sido vendidos em leilão que decorreu no Hotel dos Templários, em Tomar, em Agosto de 2010.
Como os instrumentos nunca chegaram a sair das suas instalações, os membros da direcção, o maestro e os músicos, determinados a que a Banda não “fechasse as portas”, uniram-se em torno desta causa e com os apoios da população da Carregueira, da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal da Chamusca, conseguiram reunir o dinheiro necessário para voltar a adquirir a maioria dos seus instrumentos e continuarem a executar o seu excelente percurso musical a solo.
Mas este valoroso desempenho não se esgota com as suas actuações. A Banda, através da sua escola de música, tem tido também uma grande intervenção no ensino musical, que se estendeu ao próprio parque escolar, tendo mantido desde o ano lectivo de 1998/1999 até ao de 2002/2003, um protocolo com a Telescola da Carregueira, com a cedência de um monitor para apoio à escola de música daquele estabelecimento. Colaboração que só cessou devido ao encerramento da Telescola.
         A escola de música manteve também, em  1999, um protocolo com a Associação dos Bombeiros Voluntários Chamusquenses para a formação musical de jovens na Vila da Chamusca.
         Pode afirmar-se que a formação de crianças e jovens foi sempre uma das maiores prioridades da Banda, mantendo uma escola de música sempre activa, que já deu formação a várias centenas de músicos. Muitos deles não só têm vindo a ingressar na Filarmónica, como fazem parte das principais Bandas das Forças Armada e da GNR , ou frequentam cursos superiores de música.
         Actualmente a  Escola de Música da Banda é frequentada por 45 alunos, com o facto extraordinário de 6 deles terem apenas idades compreendidas entre os 4 e os 6 anos e outros 21 serem também crianças e adolescentes com idades até aos 15 anos.
         No momento presente, para além das 27 crianças e jovens  que frequentam a sua Escola de Música, 10 delas já a actuar no elenco principal,  a Banda é formada por 46 músicos, que vêm desenvolvendo uma dinâmica e qualidade musical, que começa também já a ganhar expressão na organização de espectáculos, como “Portugal Ó-I-Ó-AI” e “Portugal Enamorado”, realizados em 2013, e que são uma garantia de um futuro feliz e de sucesso.
         Pelos seus 83 anos de perserverança, dedicação, estímulo e formação musical e pela sua grande intervenção sócio-cultural na formação de valores humanos, a Banda da Sociedade de Instrução e Recreio Carregueirense “VICTÓRIA” é uma Entidade que merece ser referenciada como um Património do concelho da Chamusca e de Portugal.


1930 - O maestro e todos os músicos fundadores da Banda.


1935 - Os elementos da Banda, já com a farda em tons cinzentos.


Outras fotos, ao correr do tempo. (Com um enorme agradecimento a João José Matias Bento, que fez a recolha das mesmas).


















  





Entrevistas:


Anabela da Luísa



Presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense “VICTÓRIA”. É igualmente música na Banda, onde toca sax tenor.

Há quantos anos se encontra ligada à Banda e quais são as razões para esse empenho?

Foi em 1970, aos 10 anos de idade, que entrei para a escola da Banda. Nessa altura a política era não deixar entrar elementos femininos, mas com grande dedicação e força de vontade eu e outras três raparigas conseguimos entrar. Durante 8 anos toquei clarinete e depois passei para o sax-tenor, que é o instrumento que toco até hoje.



Esta minha colaboração com a Banda tornou-se ainda mais intensa em 2004, quando ainda estávamos integrados na AVUCA. Como aquela Associação já não estava a funcionar como devia e era necessário assinarmos contratos, documentos, protocolos e solicitar apoios, foi preciso formar uma Comissão Administrativa para gerir os destinos da Banda e eu fui a pessoa escolhida para a liderar. Comissão esta que, no entanto, só seria oficializada em 01/07/2007. Depois, em 2012 criou-se uma Direcção, que é composta por 15 elementos, da qual eu fui eleita presidente.
Toda esta minha ligação e empenho para com a Banda, tem a ver com o grande carinho, orgulho e paixão por esta Filarmónica.


Foi essa “paixão” que reuniu toda a sua família no elenco da Banda?

Como o meu marido também toca na Banda, esta faz parte do nosso dia-a-dia há muito tempo e tem um grande peso afectivo nas nossas vidas. Os nossos filhos nasceram e cresceram praticamente dentro da Banda e isto não podia deixar de os influenciar.
Somos uma família dentro da grande família que é a Banda. O meu marido, Armindo Luísa, toca trompete e quanto aos nossos filhos a Ana, clarinete; Ângela, sax auto e o Luís, percussão. Salientando ainda a particularidade dos três, ainda jovens, já fazerem também parte da direcção da Banda.




Quais são os principais objectivos que a Direcção tem para a Banda?

Os nossos objectivos passam pela compra de instrumentos e essencialmente por fazer uma remodelação da farda, que já está muito usada.
Gostávamos também de conseguir ter duas salas em condições para que, desse modo, a escola de formação musical possa funcionar melhor.
Os restantes objectivos são os de sempre: manter a Banda; ensaiar e tocar novas músicas; elevar os nossos conhecimentos a nível musical e levar os seus elementos a saber mais sobre música e a história do próprio instrumento que tocam.

Como é que tem sido possível divulgar e desenvolver o trabalho da Banda em tempos economicamente tão difíceis?

Isso só tem sido possível fazendo festas, rifas, celebrando protocolos, recebendo patrocínios e também com as ajudas da Junta de Freguesia local, da Câmara Municipal e da população. As pessoas da Carregueira nunca nos viraram as costas. Têm colaborado bastante connosco e têm sido muito generosas.
Os próprios músicos, que são amadores na Banda, para além da sua colaboração musical também se dedicam e trabalham nas nossas organizações e por vezes contribuem igualmente com algum dinheiro.
Só desta forma temos conseguido suportar as despesas com a manutenção dos instrumentos, consumíveis (palhetas, óleo), para além dos gastos com a  água, luz e conservação da sede.

Na sua opinião qual tem sido o contributo da banda para o desenvolvimento sócio-cultural da Carregueira e do concelho da Chamusca?

Tocamos na Semana da Ascensão, em dias comemorativos, como por exemplo o 25 de Abril,  em corridas de touros, em desfiles e procissões por todo o concelho, dando a conhecer não só  o nosso trabalho, como contribuindo com as nossas actuações para a actividade cultural do concelho.
No aspecto social o trabalho da nossa escola de música é muito importante, porque as crianças cada vez chegam em idades mais jovens e desenvolvem as suas capacidades mais cedo. Isto é bom para o futuro da Banda, mas é também uma forma de os proteger e ensinar, pois aqui estão a conviver uns com os outros, a aprender regras de comportamento e educação, quando sem esta actividade podiam andar por maus caminhos. Sendo de salientar que a aprendizagem e colaboração com a Banda lhes pode trazer um futuro profissional ligado à música, o que já acontece com alguns dos nossos elementos.

O que é que a Banda significa para si?

A Banda é uma parte de mim. Ela criou-me o gosto de aprender, mas significa também uma responsabilidade muito grande na minha vida. Permitiu-me conhecer outras terras, conviver com muitas pessoas e trocar conhecimentos. Sinto uma grande satisfação por fazer parte dela e muita auto-estima por nela ter alcançado vários objectivos a nível musical e directivo
A Banda é a minha segunda família e não sou capaz de viver sem ela.



"Portugal Enamorado", com Manuel João Ferreira, José Carlos Matias e Liliana Redol.

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BRUNO PRAIA


, 32 anosMaestro da Banda. Licenciado em clarinete pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML). É músico profissional na Banda Sinfónica do Exército, onde toca clarinete.

Pode dizer-se que és um produto musical da Banda da Carregueira?

Claro que sim, pois  aos 15 anos de idade quando entrei para a Banda, por influência do meu pai,  não tinha muitas noções musicais e para dizer a verdade nem sentia um grande apelo pela música. No entanto, aos poucos, fui-me integrando no Grupo motivado com a aprendizagem e com o desenvolvimento que ia obtendo e foi aqui que acabei por me tornar músico. Foram 8 anos de uma ligação muito forte e que só foi interrompida  devido a motivos profissionais, pois com a minha entrada para a Banda da Força Aérea, onde tocava como profissional, e devido aos imensos serviços e concertos da mesma, não consegui conjugar o meu tempo para poder continuar também a tocar, de forma contínua e assídua, na  Banda da Carregueira.

Que motivações levaram o ex-aluno da Banda a regressar para ser o seu maestro?

Como a Banda havia ficado sem maestro, ficando a vaga em aberto, um núcleo duro de músicos veio pedir-me que concorresse também ao lugar para o qual já havia alguns candidatos. Apesar de ter pensado bastante no assunto acabei por não ser capaz de dizer que não a este pedido, até mesmo porque grande parte desses músicos são meus amigos e foram meus colegas como músicos, na altura em que lá estive. Foi assim que ingressei  de novo na Banda, desta vez como seu maestro, o que sucedeu em 17/11/2012 quando se realizou o primeiro ensaio sobre a minha orientação.
Gostaria de salientar que apesar de ser uma pessoa inexperiente nestas funções, como a qualidade dos músicos é muito boa e existe uma grande amizade e afectividade entre nós, a minha missão e integração tornou-se bem mais fácil.

Como descreverias o teu trabalho e o dos elementos da banda, durante o período da tua regência?

O trabalho tem sido árduo neste pouco tempo decorrido após a minha entrada. Houve muito sacrifício pessoal dos músicos. Alguns não tiveram férias, outros reduziram-nas para podermos ensaiar e não prejudicarem as diversas actividades que tínhamos agendadas.
 Esta nova era da Banda tem muito a ver com a postura e  a atitude dos músicos, a que se alia um novo repertório e diferentes produções musicais realizadas desde então. Tudo isto levou a um tremendo esforço por parte de todos nós, obrigando-nos a desenvolver uma enorme versatilidade artística. Esta nova imagem e sonoridade musical tem sido apresentada em Corridas de Touros, concertos, Encontros de Bandas, Festas, procissões e nos espectáculos que temos produzido.
Portanto, penso que temos trabalhado bem e fortalecido o nosso espírito de grupo.

Quais são as tuas expectativas a nível musical para a Banda?

As minhas expectativas passam, sobretudo, por consolidar a Banda. Torná-la mais forte e estável, criando-lhe uma identidade própria. Apostar fortemente no ensino (na Escola de Música), que será o futuro da Banda, e continuar a produzir espectáculos, sim, porque se as Bandas querem sobreviver têm que se adaptar e integrar socialmente, desempenhando um papel muito activo na música e na cultura.

Ultimamente têm tido muitas actuações. Pensas que a Banda pode, pela sua qualidade, vir a expandir-se ainda mais?

Devido à minha relação pessoal com os elementos da Banda abriu-se a perspectiva de um novo ciclo, com outro tipo de trabalhos musicais, que aliado ao bom nível dos músicos, permitiu que a Banda alcançasse uma maior expressão.
Só para se ter uma ideia da qualidade de músicos que compõem a Banda, posso referir alguns exemplos.  Pedro Gentil é profissional na Banda da Armada, Artur Serrandário na Banda da GNR, Sérgio Sobral e Sofia Cymbron na Banda do Exército, para além dos que estão a seguir estudos superiores:  Mathieu Branco a tirar a licenciatura em saxofone, Pedro Oliveira, licenciatura em Tuba e Tiago Passarinho a tirar licenciatura em Trompete.

O que é que a Banda significa para ti?

A Banda mudou-me a vida por completo. Quando se tem 15 anos chega-se a uma altura de decisões. Ao entrar naquela idade para a Banda, o próprio ambiente que ali se vivia  e a música despertaram-me o lado artístico.  Se até ali nunca pensara numa vida profissional ligada à área musical, a verdade é que a paixão pela música acabou por me dar tudo o que possuo hoje.
Relativamente ao aspecto humano, a Banda deu-me um forte espírito de amizade e de solidariedade e aqui fiz e continuo a fazer amigos para a vida.


"Se os teus olhos falassem" (Espectáculo "Portugal Enamorado") 

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LUZIA ROCHA


Responsável pela escola de música da Banda. Licenciada, Mestre e Doutora em Musicologia, com especialização feita na Universidade de Innsbruck, na Áustria. É conferencista,  investigadora na Universidade Nova de Lisboa e professora na licenciatura em jazz e música moderna na Universidade Lusíada. Tem ainda publicado em dois volumes  a obra “Ópera & Caricatura o Teatro de S. Carlos na obra de Rafael Bordalo Pinheiro”.

Qual é a sua actividade na Banda?

Sou coordenadora da escola de música da Banda, onde lecciono formação musical. Os outros professores que coordeno são Tiago Neves (formação musical e metais); Bruno Praia (clarinete); Pedro Oliveira (metais); Micael Toioto (percussão); Ana Cristina da Luísa (estudo acompanhado de madeiras) e Luís Luísa (estudo acompanhado de percussão).

Quantos alunos frequentam a escola de música da Banda?

Temos entre 40 a 45 alunos de várias idades, devendo salientar-se a presença maioritária de crianças e adolescentes. Nesta escola estamos a dar formação a 21 alunos de idades entre os 7 e os 15 anos, existindo ainda um grupo de e 6 crianças com 4 a 6 anos de idade, o que me dá muita motivação e emoção por poder ajudá-los a crescer, contribuindo para a sua educação, formação musical e social.

É necessária alguma sensibilidade especial para ensinar música a crianças?

Penso que é necessária, sobretudo, uma especial atenção para se conseguir comunicar com as crianças. Com os mais pequenos tento fazer da escola um laboratório experimental, porque de acordo com Edwin Gordon, um teórico norte-americano, o grande potencial para aprendizagem musical  vai desde a gestação na gravidez até aos 9 anos de idade. Em Portugal este método já é aplicada há alguns anos pela musicóloga Helena Rodrigues, mas nunca foi utilizado nas Bandas.  As crianças começam a aprender aos 4 anos e aos 6 anos já solfejam. Há uma aprendizagem mais veloz, não só pela dedicação maior das crianças, mas também porque, está provado, a música na primeira infância potencia o desenvolvimento da coordenação motora e do raciocínio.
         Faço este ensino usando desenhos, cores, plasticina, peluches e jogos efectuados em instrumentos musicais pequeninos.

A que atribui a vinda de tantas crianças para frequentar a escola de música?

Penso que os pais passam a palavra porque vêm que há uma boa organização e as próprias crianças também fazem comentários entre si sobre o bom ambiente que se vive. Já há miúdos da Chamusca, da Barquinha, do Entroncamento e do Pinheiro Grande a vir até nós. A escola da Banda é muito importante porque a música é também uma forma de dar educação, de tornar por isso os seres humanos mais sensíveis e educados. Uma pessoa com uma boa formação cívica contribui para um mundo melhor.
Por outro lado, como já temos 10 jovens da escola a tocar na Banda, as nossas saídas para actuar noutras localidades também atraem as crianças e os jovens,  porque promovem o convívio e permitem fazer novos relacionamentos.
As pessoas começam também já a ter a perspectiva de que a aprendizagem e formação musical na escola da Banda, pode ser uma saída profissional.

É importante o trabalho das bandas no contexto musical do nosso país?

Penso que as Bandas Filarmónicas têm uma grande importância na música e na formação de músicos neste país, porque os custos dos instrumentos e das propinas são muito elevados. Um instrumento pode custar entre 300 a 5.000€ e as Bandas proporcionam a utilização de instrumentos e o ensino de uma forma gratuita.
Para frequentar a Escola da Banda da Carregueira, basta uma inscrição como associado e pagar mensalmente apenas 1€, para se poder aprender música e desenvolver aptidões. 
É com esta mentalidade e estrutura que se pode construir não só o futuro da nossa Banda, como contribuir para o desenvolvimento musical a nível nacional.

O seu trabalho tem-se estendido à criação de espectáculos apresentados pela Banda. Como é que lhe surgiu esta ideia?

Esta ideia de organizar espectáculos nasce da necessidade de interagir com a comunidade e fazer alguma coisa pela cultura do concelho da Chamusca, usando os talentos, as tradições locais e nacionais. Houve uma preocupação de reavivar memórias e valorizar artistas portugueses.
Tivemos um grande impacto com o “Portugal Ó-I-Ó-AI”, que apresentámos no Cine-Teatro da Chamusca, com lotação esgotada, e igualmente uma excelente receptividade com o espectáculo “Portugal Enamorado”, realizado no Equuospolis da Golegã, onde estiveram presentes umas largas centenas de pessoas.
Espero que se façam repetições desses espectáculos e na minha cabeça já germinam novas ideias para futuras realizações.

Como é que sente este seu envolvimento com a Banda?


          Sinto-me comovida pelo acolhimento que a Banda me tem dado. Apesar da forma séria e severa como desenvolvo o meu trabalho, as pessoas têm-me surpreendido pela dedicação e carinho que me prestam.



"A Menina da Rádio"
Banda da Carregueira e Bruno Pascoal tocando Bombardino (Espectáculo "Portugal Enamorado")

Carregueira, 22/12/2013


     Tive o privilégio de assistir, hoje, na pequena sala da Sociedade Instrução e Recreio Carregueirense "VICTÓRIA", a uma grande actuação da sua Banda.
    O seu Concerto de Natal foi um momento musical extraordinário, que tenho o imenso prazer de compartilhar nos vídeos que se seguem.


Lawrence of Arabia


Second Suite Holst

Do Re Mi

White Christmas


Christmas Fantasy



Hallelujah Chorus





João José Bento
Reviveram-se no último domingo as grandes enchentes da sociedade da Banda, como dizem as gentes da Carregueira, que trabalho fabuloso se vai fazendo desde os mais novos aos mais velhos, tarde bem passada num autentico hino à musica, onde se nota cada vez mais uma entrega total e apaixonada ao que estão a tocar. Uma só palavra Parabéns !!!



Anabela Luíza.
Os vídeos estão ótimos, muito obrigada em meu nome e em nome 
da direção pela divulgação dos mesmos, pois a divulgação de um trabalho desta natureza é uma enorme valia para a nossa Banda Filarmónica, para a Carregueira e para o concelho da Chamusca.
Mais uma vez um grande obrigada.


Bruno Moedas Praia comentou uma ligação que partilhaste.
Bruno escreveu: "Muito Obrigado Carlos pelo constante apoio e dedicação que nos tem
 dado, têm servido como forte estimulo para o nosso trabalho. Obrigado!!!"




A reportagem fotográfica e o texto sobre o Concerto de Natal, publicados na Revista "É Ribatejo".

Merecido destaque para uma Associação, uma Escola de Música e uma Banda de Grande Qualidade.



É com grande orgulho que exibo sempre o trabalho efectuado pela filarmónica onde comecei a emitir os primeiros sons.


Bruno Moedas PraiaUm artigo muito laudatório com texto de Carlos Santos Oliveira e fotografia de Victor Gago.

Outros comentários no facebook e no blogue sobre o trabalho divulgado nesta página:


  • Victor Moedas Olá gr AMIGO CARLOS SANTOS OLIVEIRA em primeiro lugar quero dar te os Parabens
     por mais este magnifico Trabalho que tu tens vindo a desenvolver na CHAMUSCA e seu CONCELHO o 
    que é maravilhoso para que as pessoas fiquem informadas e que também reconheçam o esforço do teu 
    trabalho que tens feito com muita dedicação Amor Arte e Sentimento Obrigado 
    GR BRAÇO CARLOS SANTOS OLIVEIRA

Julio Hipolito comentou uma ligação que partilhaste.
Julio escreveu: "noite fantastica de grande espectáculo para recordar ! parabéns aos autores e aos intérpretes !!!!" (Opinião sobre o espectáculo "Portugal Enamorado")


  • Susete Lima A sempre boa banda da Carregueira. Obrigada a todos aqueles passados e presentes
     que dedicaram e dedicam a sua vida a esta causa.


  • João José Bento Quando há oitenta e três anos atrás, um grupo de carregueirenses fundou a sua 
    Banda Filarmónica " Victória, nunca imaginaria, que passados todos estes anos, a menina bonita dos olhos
     da Carregueira, estaria bem viva e que ao alcance de um click, estaria a ser conhecida nos quatro cantos 
    do planeta Terra. A mostrar todo o seu potencial musical, com gente muito experiente, mas a revelar que 
    tem no seu seio uma juventude de uma sensibilidade artística fantástica, com o futuro assegurado. Aproveito
     este blogue para prestar o meu tributo, a todos os dirigentes e músicos que fizeram desta banda o que ela
     é atualmente. não me quero esquecer das gentes da Carregueira, que sempre apoiaram a sua Banda
     Filarmónica " Victória". Deixo para o fim !!! Quem teve a excelente ideia de colocar os Corações da Chamusca,
     a pulsar pelo mundo inteiro, cobrando apenas uma palavra Obrigado !!! Parabéns, Carlos Oliveira, por este
     excelente trabalho a imortalizar, A Banda, a Carregueira e a Chamusca. Muita força para outros Corações 
    da Chamusca, que já sinto a pulsar !!!
Um trabalho excelente, como músico da Banda da Carregueira agradeço
 imenso pela sua dedicação. Não só nos serve de estimulo, como também
faz chegar a quem não conhece, a nossa realidade. Mais uma vez,
OBRIGADO.
P.G.
2.             Anónimo10 de Outubro de 2013 às 00:38
Excelente trabalho por parte de todos os intervenientes....já são os longos
 anos que faço parte desta coletividade, desde elemento de direcção como
executante musical ....tenho bastante orgulho pertencer a esta familia musical...
tempos dificeis já passou a união foi fundamental, e o seu incentivo por parte
de todos os jovens que dela fazem parte também foi excelente...Gostei destas
 velhas fotos que me fez recordar velhos tempos, do inicio da minha
aprendizagem ....obrigado

3.           
  1. A Instituição já merecia estes trabalho. Obrigado por ter vontade de o fazer.
  1. 4.

  2. Sem duvida um exelente trabalho dedicado "á minha" nossa Banda. Fiquei de 
    véras imucionado por saber de alguem tão interesado em conhecer e divulgar 
    a realidade e o trabalho desta HUMILDE mas VALOROSA BANDA. Um grande 
    bem haja...
5.

              Ana Cristina Luísa

                Um trabalho para dar a conhecer e divulgar a Sociedade Filarmónica de Instrução e
 Recreio Carregueirense Victória.
     Agradeço a divulgação e o trabalho realizado.

6

             Ângela Luisa

             Obrigada pelo excelente trabalho que realizou. Foi nesta banda filarmónica que 
passei a maior parte da minha vida e espero, durante muitos anos, poder continuar a fazer 
parte da mesma. O facto de a integrar como membro da direção fez-me ver outras
 realidades que desconhecia ou simplesmente não me preocupava com elas. Mais 
uma vez obrigada e espero que possa desenvolver mais trabalhos a nível cultural, 
pois a freguesia da Carregueira é rica nesse âmbito, bem como o concelho da Chamusca. 


  1. Amigo Carlos não tenho como lhe agradecer a homenagem que nos presta!!! Muito obrigado pelo tributo que nos presta, tanto ao nosso rico e bonito passado assim como ao presente desta Instituição. Obrigado
    • Carlos Santos Oliveira Quando se sente, vê e escuta tanta Qualidade Musical e Humana e um Espírito Tão Forte de Grupo, não se pode ficar indiferente. SOU UM FÃ DA BANDA! PARABÉNS pelo teu trabalho e o de todos os elementos que constituem a Banda e o elenco Directivo. Posso afirmar,sem qualquer dúvida, que a Banda da Sociedade de Instrução e Recreio Carregueirense "VICTÓRIA" é, socialmente e culturalmente, um exemplo e uma referência do nosso Concelho. Por tudo isso só tenho a agradecer o privilégio que é poder trabalhar convosco e emocionar-me com a vossa EXTRAORDINÁRIA QUALIDADE! Abraço Bem Forte.